Por unanimidade, TSE rejeita recurso de Bolsonaro contra o Datafolha

Publicado em 17/05/2018, às 13h42

Redação

Por unanimidade, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) rejeitou nesta quinta-feira (17) recurso do deputado federal Jair Bolsonaro (PSL-RJ) que questionava o teor de perguntas feitas sobre ele em uma pesquisa do Datafolha.

LEIA TAMBÉM

O deputado, que é pré-candidato a presidente, havia tentado suspender em janeiro a divulgação de pesquisa do instituto argumentando à Justiça Eleitoral que era tendenciosa a inclusão de perguntas a respeito do aumento de seu patrimônio. O assunto tinha sido abordado em uma série de reportagens da Folha de S.Paulo naquele mês.

Relator do caso, o ministro Sergio Banhos negou na ocasião um pedido de liminar e, posteriormente, julgou improcedente a representação de Bolsonaro. A pesquisa foi divulgada no dia 31 de janeiro.
O parlamentar recorreu e o plenário do TSE, composto por sete ministros, julgou o pedido improcedente nesta quinta-feira.

Bolsonaro queixou-se sobretudo de uma questão a respeito de seu patrimônio. "Você tomou conhecimento sobre denúncias envolvendo o aumento do patrimônio da família do deputado Jair Bolsonaro desde o início da sua carreira política?", perguntou o Datafolha aos entrevistados.

A questão atribuiu a Bolsonaro, diz sua defesa, "a pecha de denunciado por enriquecimento ilícito, de forma manifestamente difamatória". O texto afirma que ele nunca foi denunciado por acréscimo de patrimônio.
O relator Sergio Banhos entendeu que, diante do teor das perguntas, não é possível concluir que havia no levantamento a finalidade de privilegiar um candidato em detrimento de outro e tampouco que havia conteúdo difamatório ou inverídico nas questões que constavam no levantamento.

Ele disse que o acervo probatório não comprova qualquer favorecimento a um candidato em detrimento de outro.

Os colegas de tribunal seguiram seu voto. O ministro Tarcísio Vieira destacou a importância da liberdade de expressão e disse que a atuação da Justiça Eleitoral deve se dar de maneira minimalista. A palavra "denúncia" foi usada no sentido de "notícia", segundo ele.

Rosa Weber disse que o tema de fundo é instigante, pois trata de pesquisas eleitorais e seus reflexos, e passa pelo direito à informação, pela liberdade de expressão e pelo limite de atuação dos envolvidos.
Luís Roberto Barroso e Jorge Mussi também concordaram com o relator.

Napoleão Nunes Maia votou com o relator, mas com ressalvas. Para ele, a palavra "denúncia" nunca é neutra. Ele disse que acompanharia o relator seguindo o princípio da colegialidade.

O presidente do TSE, Luiz Fux, afirmou que não houve desequilíbrio na pesquisa Datafolha.

Gostou? Compartilhe

LEIA MAIS

Justiça mantém prisão de jovem suspeito de dopar e estuprar colega de escola em Alagoas Justiça mantém preso homem que chutou rosto de filha no Paraná Justiça do RJ condena acusado de matar ator Jeff Machado Defensoria Pública aciona Estado por superlotação e condições degradantes em cadeia de Maceió