Prejuízo da Petrobras recua 29,6% e fica em R$ 3,759 bi no 3º trimestre

Publicado em 12/11/2015, às 19h51
-

Redação


Petrobras confirmou a expectativa do mercado financeiro e anunciou prejuízo no terceiro trimestre de 2015, o terceiro número negativo nos últimos cinco trimestres. O resultado ficou em R$ 3,759 bilhões, menos adverso do que o prejuízo de R$ 5,339 bilhões acumulado de julho a setembro do ano passado. Entre janeiro e setembro, o balanço da estatal ainda é positivo, com lucro de R$ 2,102 bilhões, queda de 58,1% sobre o mesmo período do ano passado.


O prejuízo foi ainda mais negativo do que a expectativa de analistas do mercado financeiro que acompanham a estatal. A média das projeções de cinco casas consultadas (Brasil Plural, BTG Pactual, Itaú BBA, HSBC e uma quinta casa que pediu para não ser identificada) apontava para um prejuízo de R$ 2,345 bilhões. A diferença entre os dois valores ficou em 60,3%.


Mais uma vez, os números da Petrobras foram afetados por itens extraordinários. A companhia incluiu no Programa de Parcelamento Especial (Refis) uma dívida estimada em R$ 6 bilhões e com isso reduziu o valor do passivo para R$ 3 bilhões. Como R$ 876 milhões são liquidados com prejuízos fiscais, o impacto da operação no resultado trimestral foi de cerca de R$ 2 bilhões, líquido de impostos.


O prejuízo também tem origem no resultado financeiro, este impactado pelo efeito da valorização do dólar sobre as dívidas denominadas em moeda estrangeira. O resultado financeiro da Petrobras ficou negativo em R$ 11,444 bilhões, acima da despesa financeira líquida de R$ 972 milhões registrada entre julho e setembro de 2014. No acumulado do ano, o efeito cambial também tem relevância importante para o resultado financeiro negativo de R$ 23,113 bilhões.


Em contraste ao fraco resultado financeiro, o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado alcançou R$ 15,506 bilhões, salto de 82,7% sobre o terceiro trimestre do ano passado, o pior resultado da Petrobras na última década. Foi naquele trimestre que a estatal fez os ajustes devidos em função da revelação de pagamentos de propina. Ao considerar um sobrepreço de 3% nos valores dos contratos assinados com empresas alvo de investigação na Operação Lava Jato, aPetrobras chegou a uma perda estimada de R$ 4,06 bilhões.


Além disso, no mesmo terceiro trimestre, a estatal contabilizou perdas bilionárias com o cancelamento dos projetos das refinarias Premium I e II e com recebíveis no setor elétrico. Essa combinação de fatores contribuiu para o forte prejuízo do período e para o Ebitda inferior a R$ 10 bilhões, o que não ocorria desde 2008.


No terceiro trimestre deste ano, por outro lado, tais itens não recorrentes não se repetiram e a companhia ainda foi beneficiada por um ambiente mais favorável no segmento de Distribuição. Os preços da gasolina e do diesel importados pela Petrobras encolheram, reflexo da queda da cotação internacional do petróleo, e nesse mesmo intervalo a estatal anunciou dois reajustes de gasolina e diesel vendidos no Brasil.


Os números acumulados entre janeiro e setembro apontam para um Ebitda ajustado de R$ 56,795 bilhões em 2015, expansão de 45,3% sobre igual intervalo do ano passado.


Receita


Se por um lado o petróleo em queda favorece a importação de combustíveis, por outro afeta a rentabilidade da área de Exploração e Produção (E&P) da Petrobras. Com a commodity em retração, a receita líquida da Petrobras somou R$ 82,239 bilhões entre julho e setembro, 6,9% menor do que a receita recorde de R$ 88,377 bilhões registrada no terceiro trimestre do ano passado.


A retração poderia ser ainda mais expressiva não fosse o crescimento da produção de óleo e gás natural na comparação entre terceiros trimestres e o dólar favorável às exportações. O aumento da produção tem origem principalmente no início da operação do navio-plataforma Cidade de Itaguaí, em julho passado e na curva crescente de produção de plataformas cujas atividades tiveram início desde 2014.


Gostou? Compartilhe

LEIA MAIS

Novonor assina venda do controle da Braskem após alta nas ações da mineradora Isenção de IPTU para idosos: veja as regras e como solicitar o benefício Afinal, por que a carne bovina disparou de preço? Entenda o real motivo Saiba como vai funcionar o cashback da restituição automática do IR