Preso por matar e enterrar mulher no quintal de casa, em SP, zomba do crime: "Foi por diversão"

Publicado em 04/08/2023, às 07h46
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g1 SP

Preso temporariamente por matar e enterrar o corpo de Nilza Costa Pingould, de 62 anos, no quintal da casa dela em Barretos (SP), o suspeito zombou do crime ao chegar à delegacia nesta quinta-feira (3).

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Leonardo Silva, de 18 anos, disse que não se arrepende do homicídio, que se divertiu e que não sente nada pela vítima. Ao falar com os repórteres, ele chegou a mandar um beijo para as câmeras.

“Matei, gente (...) por diversão também. Estava [com raiva], por muitas coisas, gente. Minha vida é uma série. (...) Eu vou matar e vou me arrepender depois? Então não adiantava eu matar. Que bandido é esse? Valeu [a pena]”, afirmou Silva na porta da Delegacia de Investigações Gerais (DIG).

A Polícia Civil instaurou um inquérito para apurar o crime de latrocínio, roubo seguido de morte.

A defesa de Silva não foi localizada para comentar o assunto até a publicação desta matéria.

Responsável pela investigação, o delegado Rafael Farias Domingo, titular da DIG, disse que Silva demonstra extrema frieza.

“A gente percebe [a frieza] porque ele parece não ligar para as consequências do que ele fez. Quando chegou a Barretos, ele assumiu o crime para a imprensa. Não apresenta remorso, planejou com tempo esse crime e não apresenta nenhum tipo de arrependimento.”

Crime motivado por vingança

Domingo afirma que Silva agiu por vingança. Há cerca de quatro meses, o rapaz foi morar nos fundos da casa de Nilza, que tinha se proposto a ajudá-lo depois que ele se apresentou a ela como travesti. Ela o contratou para fazer serviços domésticos e Silva pediu demissão do emprego anterior.

O delegado afirma, no entanto, que o combinado foi desfeito porque Silva acabou não correspondendo às expectativas dela.

“Ele alega que o crime foi uma vingança, porque ele teria abandonado um emprego anterior para trabalhar na casa da vítima, como serviços domésticos. O combinado acabou sendo desfeito, porque a vítima disse que ele não tinha compromisso e o dispensou. Ele ficou sem o emprego anterior, sem lugar pra morar e ficou com muita raiva e começou a planejar a morte dela.”

Crime premeditado

Domingo apurou que Silva voltou a Barretos no dia 22 de julho e sondou a residência de Nilza. Na madrugada para o dia 24 de julho, ele pulou o muro da casa e ficou escondido em um quarto nos fundos. Quando o dia amanheceu, ele a surpreendeu no cômodo e a matou por asfixia com um fio.

Antes de enterrar o corpo no quintal, o suspeito permaneceu na casa por alguns dias. Ele teve tempo de obter dados bancários da vítima para fazer compras. Uma moto chegou a ser comprada para ser entregue em um apartamento que ele tinha alugado em Barretos com o dinheiro de Nilza.

Segundo o delegado, Silva ainda comprou uma pá em uma loja de construções para cavar o jardim, cimento e cal.

Imagens das câmeras de segurança da casa mostram-no manuseando um baú, onde o corpo foi colocado para ser enterrado no dia 27 de julho, três dias após o crime.

Como o corpo foi encontrado

O corpo de Nilza foi achado na segunda-feira (31). Vizinhos desconfiaram do sumiço dela e acionaram a polícia.

Um investigador esteve no local e suspeitou da terra remexida no jardim da casa no bairro Los Angeles. Ao verificar, descobriu a moradora morta.

A central de monitoramento da casa foi apreendida e ajudou a polícia a identificar o suspeito. Vizinhos também relataram ter visto um homem na porta da casa e que havia se apresentado como um sobrinho dela que morava em Planura (MG).

Nesta quinta-feira, a polícia prendeu Silva em Frutal (MG). Segundo a polícia, o celular de Nilza estava com ele, e o delegado suspeita que ele tenha tido acesso à conta bancária dela por meio do telefone.

Silva foi levado para a Cadeia de Colina (SP). A polícia deve representar pela prisão preventiva dele.

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