Professora deixa sala de aula para faturar quase R$ 500 mil como 'abraçadora profissional'

Publicado em 06/05/2026, às 18h36
- Foto: Reprodução/Redes Sociais

O Tempo

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Uma mulher de 51 anos abandonou a carreira de professora de arte após 13 anos de magistério e, atualmente, trabalha como abraçadora profissional por apenas três horas diárias. Pela função, ela pode faturar até 100 mil dólares anuais (cerca de R$ 493 mil na conversão atual). O valor supera R$ 41 mil mensais.

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Love investiu 300 dólares (cerca de R$ 1.481) em um curso especializado para ingressar na área. Atualmente, ela cobra US$ 150 (R$ 740) por hora de sessão. A ex-professora, Ella Love, começou a atividade em meio período e, após seis meses, transformou os abraços profissionais em trabalho principal.

A decisão de deixar o magistério veio após anos de estresse. Como professora em escolas públicas de Nova York, Love ganhava US$ 80 mil por ano e trabalhava pelo menos oito horas diárias. "O estresse vinha de turmas grandes, falta de tempo para qualquer coisa, problemas de disciplina, fundos limitados para materiais... é extremamente diferente na América", relatou ao SWNS.

"Eu estava procurando algo com uma energia completamente diferente, algo calmante e centralizador. Não estava pensando que isso se tornaria minha carreira", afirmou. "Eu só queria algo que ajudasse a regular meu sistema nervoso junto com o ensino", disse. Após fazer um curso online e experimentar a atividade em meio período, ela percebeu que havia encontrado sua vocação. Em seis meses, tirou um ano sabático e nunca mais voltou à sala de aula.

Perfil dos clientes e natureza do trabalho

O perfil dos clientes de Love apresenta características específicas. "Meu cliente médio é um homem de meia-idade com um emprego bem remunerado, e muitos deles são casados. Eles não querem trair ou deixar suas parceiras, mas não há intimidade", afirmou. Segundo ela, esses homens se distanciaram emocionalmente de suas esposas e enfrentam problemas de comunicação.

"Eles vêm até mim porque ainda querem permanecer em seus casamentos. Eles só precisam de toque e alguém para conversar", disse a profissional. Love destacou que o trabalho vai além do que as pessoas imaginam. "As pessoas pensam que estão apenas pagando por um abraço, mas não é isso que acontece. O toque ativa emoções reprimidas", explicou.

Durante as sessões, os clientes começam a recordar situações e contar coisas que nunca verbalizaram antes. Muitos fazem confissões emocionais, revelando coisas que "nunca contaram a ninguém". "Isso se torna uma experiência terapêutica muito intensa", afirmou Love ainda ao SWNS.

As sessões variam consideravelmente em duração. Os encontros podem durar de uma hora até nove horas consecutivas. "Varia muito. Algumas pessoas vêm por uma hora, outras por 90 minutos ou duas horas. Já tive sessões que duraram nove horas. Requer renda disponível, então alguns clientes vêm regularmente e outros economizam para vir ocasionalmente", disse.

Os ganhos de Love podem atingir US$ 100 mil em um ano forte. A média fica mais próxima de US$ 60 mil (cerca de R$ 296 mil). Além do dinheiro, ela afirma que o trabalho é profundamente emocional e, às vezes, complicado. No entanto, deixa claro que não se trata de "um relacionamento romântico".

Regras e limites profissionais

Apesar da natureza íntima do trabalho, Love insiste que a atividade é estritamente platônica. Ela estabeleceu regras firmes. "Eu entrevisto todos os meus clientes e nem todos são aceitos. Há um código de conduta e limites muito claros", explicou.

"Quando comecei, algumas pessoas tentavam ultrapassar esses limites, mas eu as parava e lembrava das regras. Era difícil saber quais clientes não deveria aceitar, mas logo você aprende", disse. "Você tem um pressentimento se eles estão nisso pelo motivo errado", afirmou.

Embora se sinta segura com seus clientes, Love reconhece que a excitação por parte deles pode ocorrer. "Se um cliente fica excitado, você tem que lembrá-lo de que é apenas uma resposta fisiológica, pode acontecer. Eu digo a eles que é natural, mas você não pode agir sobre isso. Você respira, muda de posição e segue em frente. Isso faz parte do profissionalismo", explicou.

A profissional também atende clientes que enfrentam dificuldades com interação física. Isso inclui pessoas no espectro autista. "Para algumas pessoas, esta é a primeira vez que experimentam toque seguro e consensual. Elas podem ter dificuldade com contato visual ou conexão, e isso lhes dá um espaço para aprender. É um ambiente seguro onde as pessoas podem praticar", afirmou Love.

Apesar da crescente conscientização sobre abraços profissionais, ela observa que muitos clientes ainda mantêm a atividade em segredo. "A maioria das pessoas não conta a ninguém que vem me ver. Ainda há um estigma em torno disso, o que é uma pena", lamentou.

A profissão também trouxe complicações para a vida amorosa de Love. "É preciso um parceiro muito confiante e confiante para namorar comigo", admitiu. Ela reconhece que alguns relacionamentos funcionaram, mas o trabalho pode despertar ciúmes devido à natureza íntima e emocional das sessões.

"Felizmente, nos relacionamentos em que estive, eles sabem que é apenas trabalho e completamente diferente de quando os abraço", explicou Love. Ela estabelece uma distinção clara entre as conexões profissionais e românticas. "A conexão que tenho com clientes é completamente diferente de um relacionamento romântico. Com meus clientes, é unilateral; estou lá para eles e suas necessidades. Em um relacionamento, é mútuo. É uma dinâmica totalmente diferente", esclareceu.

Para Love, o contato físico representa apenas uma pequena parte do serviço oferecido. "O toque é, na verdade, uma pequena parte disso. O trabalho real é intimidade emocional, vulnerabilidade e confiança. Nem todos precisam de um abraçador profissional, mas todos merecem alguém com quem possam se sentir seguros", concluiu a profissional.

 

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