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Quando o Brasil deixou de ser "Estados Unidos do Brazil"? Veja os nomes que o país já teve

Publicado em 29/10/2026, às 22h29
- Reprodução

Galileu

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A carta divulgada por Flávio Bolsonaro nesta quarta-feira (28) teve duas versões: na primeira utilizava um brasão histórico com o nome “Estados Unidos do Brazil”. Minutos depois, o documento foi alterado com o brasão atual da República Federativa do Brasil. A mudança resgatou a história dos nomes oficiais adotados pelo país desde 1500.

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Pindorama - Significa “Terra das palmeiras” e é uma expressão tupi-guarani usada para designar todas as regiões e os territórios da hoje chamada América do Sul. É assim que os indígenas chamavam o território antes de os portugueses chegarem.

Bracil - Entre 1351 e 1500, ano do descobrimento, os mapas europeus mostram o nome Brasil e variantes dele – Bracir, Bracil, Brazille, Bersil, Braxili, Braxill, Bresilge – designando, em lugares diferentes, uma ilha ou até três. Eram nomes atribuídos a um lugar mítico, ainda não descoberto. O nome, portanto, veio antes do lugar.

Monte Pascoal - Foi o primeiro nome atribuído ao Brasil por Pedro Álvares Cabral e sua esquadra, ainda das caravelas, ao avistarem do mar uma elevação no horizonte. A escolha se deve ao fato de ser época da celebração da Páscoa.

Terra de Vera Cruz / Ilha de Vera Cruz - Ambas as denominações estão presentes na famosa carta do escrivão português Pero Vaz de Caminha enviada ao rei de Portugal, Manuel I, relatando o que os portugueses encontraram ao chegar à nova terra, datada de 1 de maio de 1.500. “Vera Cruz” significa “cruz verdadeira”, uma alusão ao objeto em que Cristo foi crucificado. Ao escolher esse nome, os portugueses estavam associando o sagrado à gênese da nova terra, ao mesmo tempo agradecendo por ela e a entregando como oferenda.

Terra de Santa Cruz - No dia 3 de maio de 1.500, acontece a famosa missa rezada pelo Frei Henrique de Coimbra em que Cabral assume a posse do nosso território em nome da Coroa portuguesa. O evento acontece em algum local nas proximidades do que hoje é Porto Seguro, na Bahia. Nessa cerimônia, Cabral nomeia o lugar desta forma.

Terra de Gonçalo Coelho - Mencionada numa carta de 1504 em dialeto genovês. Gonçalo Coelho é o nome do comandante das frotas de reconhecimento que exploraram a costa do país entre 1501 e 1503-4. Existiu também a variação “Terra de Gonsalvo Coigo vocatur Santa Croxe”, unindo os dois nomes (Gonçalo Coelho e Santa Cruz).

Terra de Brazil - O mais antigo globo conhecido que representa a América do Sul, datado de 1504 e confeccionado em ovo de avestruz, já traz este nome, assim como as inscrições “MVNDVS NOVVS” e “TERRA SANCTAE CRUCIS”. Importante: a datação desse globo pode estar errada. Mas, se estiver certa, isso significa que ele antecede em sete ou oito anos a citação de “Brasil” em um manuscrito.

Brasil - Em 1512, numa carta de Afonso de Albuquerque ao rei, surge pela primeira vez o termo Brasil para designar oficialmente o território encontrado por Cabral. Conta a historiadora Laura de Mello e Souza: “Sua consagração oficial ocorre entre 1516, quando D. Manuel investe Cristóvão Jaques nas funções de ‘governador das partes do Brasil’ e 1530, quando D. João III designa Martim Afonso de Sousa encarregado do governo da terra”.

A história mais conhecida é que o nome Brasil foi escolhido por causa do pau-brasil, árvore que existia em abundância por aqui (muito embora, como citado, o nome já existisse no imaginário popular europeu bem antes do descobrimento). O historiador Claudinei Magno Magre Mendes explica que não foi o único motivo: “esta mudança expressou uma transformação [...]: a passagem de uma época em que a religião desempenhava o papel de cimento das relações sociais para outra em que estas mesmas relações se verificavam por meio da troca. Assim, mais do que simples denominações, ‘Santa Cruz’ e ‘Brasil’ representavam duas épocas históricas distintas, onde fé e lucro constituíam a essência de cada uma”.

As duas nomenclaturas, “Santa Cruz” e “Brasil”, conviveram por muito tempo em despachos oficiais, mapas e livros da época, representando esse embate entre religião e comércio, Deus e diabo. Em 1554, Fernão Lopes de Castanheda resumiu os batizados na sua História da Índia: “Nesta terra mandou Pedralvares meter um padrão de pedra com uma cruz e por isso lhe pôs nome terra de Santa Cruz, e depois se perdeu este nome e lhe ficou o de Brasil por amor do pau brasil”.

Terra dos Papagaios - Um dos primeiros registros deste nome é de 1516. Ele aparece em mapas e escritos italianos e franceses criados logo após chegar à Europa a notícia da descoberta de Cabral. Utilizava-se variações como Brasilia Sive Terra Papagalli e também America Vel Brasilia Sive Papagalli Terra. O papagaio, ave considerada exótica na época, era um símbolo adequado para uma terra nova e desconhecida.

Província de Santa Cruz - Em 1534, João de Barros, primeiro grande historiador português, recebeu duas capitanias hereditárias de Dom João III. Ele não gostava de “Brasil” e preferia chamar o território desta forma em seus escritos. Havia outros adeptos da ideia.

Colônia do Brasil do Reino de Portugal - Em 1530, surge este nome em registros e ofícios, muitas vezes também apenas “Colônia do Brasil”. É aqui que a colonização efetivamente começa.

O Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves - Este se torna o nome do país em 1815, logo após a Família Real portuguesa se mudar para cá em 1808, fugindo da iminente invasão de Napoleão Bonaparte. O Brasil deixa oficialmente de ser colônia e é “agregado” a Portugal. Desta forma, a monarquia portuguesa, mesmo transferida para o Brasil, consegue se manter representada no Congresso de Viena, onde se reorganiza o mapa político da Europa.

Império do Brasil - Este é o nome escolhido para o país após a Independência em 1822 e que assim permanece até 1889.

República dos Estados Unidos do Brasil - Após a Proclamação da República em 1889, nosso país ganha este nome, inspirado nos EUA.

República Federativa do Brasil - Nome instituído pela Constituição de 1967, durante a ditadura militar. A Constituição de 1988 manteve a nomenclatura. É “República” porque todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente. E é “Federativa” porque a Constituição se aplica a todas as divisões do território (estados e municípios), mesmo que estes possam ter leis próprias.

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