Quatro efeitos colaterais na voz associados ao uso do chip da beleza

Publicado em 10/03/2026, às 22h42
- Foto: Divulgação

Estado de Minas

Ler resumo da notícia

O uso do chamado “chip da beleza”, implantes hormonais subcutâneos frequentemente associados à testosterona, tem se popularizado com promessas estéticas e de melhora de desempenho físico. No entanto, um dos efeitos menos discutidos envolve mudanças significativas na voz feminina, que podem ser permanentes.

LEIA TAMBÉM

Segundo o otorrinolaringologista Guilherme Catani, os andrógenos atuam diretamente na laringe e promovem alterações estruturais nas pregas vocais. "Qualquer hormônio exógeno com ação androgênica pode provocar alterações estruturais nas pregas vocais, levando a mudanças definitivas na voz, como agravamento do timbre e instabilidade vocal", diz.

“A testosterona estimula o espessamento das pregas vocais e o aumento da massa muscular da laringe. Isso reduz a frequência fundamental da voz, tornando-a mais grave. Em muitos casos, essa mudança não regride completamente, mesmo após a suspensão do hormônio”, explica o médico.

O primeiro efeito percebido costuma ser o engrossamento vocal, também chamado de virilização da voz. A mudança pode ocorrer de forma progressiva, tornando o timbre mais grave e, em algumas situações, com características masculinizadas.

Além da alteração de tom, pode surgir rouquidão persistente. O uso hormonal pode provocar edema e alterar o padrão de vibração das pregas vocais, resultando em voz áspera, instável ou com falhas.

“Não é apenas uma voz mais grave. Muitas pacientes relatam perda de qualidade vocal, cansaço ao falar e dificuldade para sustentar a emissão”, afirma Guilherme.

Outro impacto importante é a perda de extensão vocal, especialmente nos tons mais agudos. Profissionais que utilizam a voz intensamente costumam perceber redução do alcance e menor flexibilidade.

“A paciente pode perder o controle fino da emissão e a capacidade de atingir frequências mais altas, o que afeta diretamente quem depende da voz no trabalho”, pontua.

Além das alterações físicas, há repercussão emocional significativa. A voz é um dos principais marcadores de identidade e reconhecimento social. “A voz é parte de quem somos. Uma mudança inesperada pode gerar estranhamento, sofrimento e impacto na autoestima”, ressalta.

Há possibilidade de reversão?


Embora parte das alterações possa ser definitiva, existem opções terapêuticas para readequação vocal. Nesses casos, o tratamento pode envolver fonoterapia e, quando indicado, procedimentos cirúrgicos como a vaporização da musculatura das pregas vocais com laser de CO2 (gás carbônico) e a glotoplastia, técnicas voltadas à readequação vocal.

“Hoje dispomos de técnicas cirúrgicas de readequação vocal que permitem aumentar a frequência da voz e ajustar parâmetros vocais. Cada caso precisa ser avaliado individualmente, mas é importante que a paciente saiba que há possibilidades de tratamento”, conta o otorrinolaringologista.

O especialista reforça que a melhor estratégia ainda é a informação e o acompanhamento adequado antes do uso de hormônios. “Hormônio não é recurso estético isento de risco. Quando falamos de voz, estamos falando de estrutura anatômica. E qualquer intervenção deve ser feita com consciência dos possíveis impactos”, afirma Guilherme.

Gostou? Compartilhe

LEIA MAIS

Alagoas tem alta nas mortes por Influenza em 2026, com número cinco vezes maior que em 2025 Quantos minutos de caminhada por dia ajudam a emagrecer? Anvisa manda recolher sardinha congelada por contaminação por Salmonella; veja lote afetado Aquela dor ao bater o cotovelo é normal? Saiba o que causa o “choquinho”