Quem é Rabicó, operador financeiro e chefão do CV alvo de operação no RJ

Publicado em 29/05/2026, às 10h43
- Reprodução/Disque Denúncia

CNN Brasil

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Antônio Ilário Ferreira, o chefão do CV (Comando Vermelho) conhecido como "Rabicó" ou "Coroa", é um dos alvos da nova fase da Operação Contenção deflagrada pela Polícia Civil do Rio de Janeiro na manhã desta sexta-feira (29). O criminoso, de 61 anos, é considerado pelas autoridades como o principal operador financeiro da facção.

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O "currículo criminal" de Rabicó é extenso. Segundo informações do Disque Denúncia, Antônio é um dos traficantes de drogas mais antigos e procurados do estado, apontado como líder máximo da organização no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, Região Metropolitana do Rio.

Ele seria responsável por comandar o tráfico na região há mais de 30 anos. 

Rabicó foi preso em 2008 em Pernambuco, onde vivia com a família e se passava por empresário do ramo de reciclagem. O homem chegou a cumprir pena em presídio de segurança máxima em Campo Grande (MS). "Coroa" está foragido desde 2019, quando foi solto após uma decisão liminar do STF (Sistema Tribunal Federal).

Alvo marcado e ligações suspeitas

Em março deste ano, Rabicó foi o alvo principar de uma operação entre a Polícia Federal e a Militar, no Complexo do Salgueiro. Relatos de moradores apontam que o homem teria sido baleado durante o cerco. No entanto, não foi capturado.

Além da atuação no tráfico, as autoridades indicam possíveis ligações do traficante com o cantor Oruam.

Investigações também sugerem que integrantes do grupo de Rabicó teriam viajado á Ucrânia para aprender técnicas de combates usadas em conflitos internacionais.

Atuação de "Coroa"

Segundo investigações, "Coroa" era responsável pela lavagem de dinheiro, gerenciamento de empresas de fachada, movimentações bancárias e utilização de terceiros para ocultar patrimônio e valores ilícitos, sendo indicado como principal operador financeiro do CV.

As apurações apontam que o esquema usava empresas de reciclagem e ferros-velhos, contas bancárias de passagem, depósitos fracionados em espécie, emissão de notas fiscais falsas e intensa movimentação financeira entre empresas ligadas ao grupo. O objetivo era dar aparência de legalidade aos recursos do tráfico.

Comércio de sucatas
A investigação identificou ainda que empresas do ramo de reciclagem e comércio de sucatas transferiam milhões de reais diretamente para contas de Rabicó e de empresas controladas por ele.

Há também indícios de receptação qualificada, aquisição de materiais de origem suspeita e pulverização de recursos em diversas contas bancárias para dificultar o rastreamento dos valores.

Investigadores identificaram também algumas áreas usadas para a queima clandestina de cabos de cobre e estabelecimentos vinculados a Rabicó, "reforçando os indícios de integração das atividades ilícitas à cadeia de lavagem de dinheiro da facção."

Esposa de Rabicó presa

Raquel Neves dos Santos Mendonça, companheira de Rabicó, foi presa na manhã desta sexta-feira (29) durante mais uma fase da Operação Contenção contra o braço financeiro da facção. Até o momento, 20 pessoas foram detidas.

A operação da Polícia Civil cumpre mandados em diveras cidades no estado do Rio de Janeiro, como a capital, São Gonçalo, Duque de Caxias, Itaboraí, Iguaba Grande, Armação dos Búzios e São João de Meriti. As ações também ocorrem em cidades de São Paulo, Paraná, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Maranhão.

 

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