Rainha da Cetamina: como uma herdeira se tornou fornecedora de drogas para a elite de Hollywood

Publicado em 13/04/2026, às 13h23
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g1

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Uma mulher nascida na Inglaterra, com origem em uma família rica e vida ligada ao luxo, é apontada por autoridades dos Estados Unidos como peça central em um esquema de fornecimento de drogas para a elite de Hollywood, incluindo o ator Matthew Perry, do seriado "Friends", morto por uma overdose em 2023.

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Segundo promotores, Jasveen Sangha seria a chamada “rainha da cetamina”, responsável por abastecer clientes ricos e famosos com drogas como cetamina, cocaína e medicamentos controlados.

Vizinhos disseram à equipe de reportagem da BBC, que visitou um apartamento de Sangha em Los Angeles, que ela levava uma vida glamorosa, marcada por festas, mas quase não era vista no prédio.

“Ela ia e vinha muito e nunca parecia estabelecida”, contou a repórter Amber Haque, da BBC.

No local, o FBI encontrou um grande estoque de drogas, incluindo cetamina, além de uma arma.

De herdeira a suspeita de tráfico

Jasveen Sangha cresceu em um ambiente privilegiado. Os avós eram multimilionários do setor da moda em Londres, e os pais administravam franquias de uma rede de lanchonetes.

Ela estudou na Universidade da Califórnia, em Irvine, e depois voltou ao Reino Unido para fazer um MBA.

Para investigadores, a trajetória levanta uma pergunta central: como alguém com esse perfil teria se tornado uma fornecedora de drogas em larga escala?

“Ela era, em essência, a chefona. Uma traficante com grande estoque”, afirmou Bill Bodner, que liderou a investigação.
Segundo ele, Sangha teria vendido cetamina envolvida em pelo menos duas mortes: uma em 2019 e outra a de Matthew Perry.

Pessoas próximas à acusada, no entanto, contestam a imagem de grande traficante.

Tony Marquez, que diz ter sido amigo de Sangha, afirma que ela fazia parte de um grupo que consumia drogas recreativas, mas não era uma líder do tráfico.

“Ninguém a conhecia como ‘rainha da cetamina’. Isso é coisa da mídia”, disse.

Outro amigo, Jash Negandhi, afirmou que nunca soube de envolvimento dela com venda de drogas. Ele também levanta dúvidas sobre o caso de Perry.

“Eu não acho que foi ela que iniciou a transação”, disse, mencionando o histórico de dependência do ator.

Uso terapêutico e risco de abuso

A investigação aponta que Matthew Perry teve contato com a cetamina inicialmente de forma legal, durante tratamento para depressão e dor em uma clínica de reabilitação de luxo na Europa.

A substância, usada em alguns casos terapêuticos, tem potencial de benefício — mas também alto risco de dependência.

“Não acredito que permitiria que um paciente começasse terapia com cetamina. Há benefícios, mas o potencial de abuso é alto”, afirmou um especialista ouvido pela reportagem.

Mesmo após deixar a reabilitação, Perry continuou o tratamento em clínicas nos Estados Unidos. Com o tempo, passou a buscar alternativas fora do sistema médico.

Segundo investigadores, nas semanas antes da morte, Perry tinha acesso a dois médicos que forneciam cetamina em doses elevadas e a preços altos.

Mensagens obtidas pela polícia indicam que um deles discutia quanto poderia cobrar do ator.

Com os custos aumentando, Perry teria buscado opções mais baratas — e foi nesse momento que entrou em contato com Jasveen Sangha, segundo a acusação.

A morte e as acusações

Em outubro de 2023, o ator foi encontrado morto em casa, em Los Angeles, após uso de cetamina.

A morte levou à acusação de cinco pessoas. Dois médicos se declararam culpados por fornecer a droga. Jasveen Sangha e outros dois suspeitos também foram denunciados.

Para os investigadores, a responsabilidade pelo caso é compartilhada.

“Os mais culpados são os médicos, porque sabiam do histórico de vício. Sangha é uma traficante relevante, mas não tinha acesso direto à casa dele", disse Bodner.

Após semanas de apuração, a reportagem conclui que o caso vai além de uma única pessoa.

Jasveen Sangha é apontada como fornecedora de drogas — e, segundo as autoridades, teve papel na morte do ator. Mas o histórico de dependência de Matthew Perry e a atuação de médicos e clínicas também fazem parte do cenário.

A trajetória do ator, marcada por anos de luta contra o vício, expõe as falhas de um sistema que, segundo especialistas, deveria oferecer proteção — mas acabou contribuindo para o desfecho.

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