Recuperação extrajudicial ainda não resolve a situação da Braskem

Publicado em 25/08/2026, às 13h25

Flávio Gomes de Barros

Esgotou-se nesta segunda-feira, 21, o prazo obtido judicialmente pela Baskem para fechar negociação com seus credores e evitar o constrangimento de uma recuperação judicial.
Ao formalizar no último dia do prazo o almejado pedido de recuperação extrajudicial, a empresa conseguiu 90 dias para dar seguimento `ss negociações e evitar o mal maior.
Mas a questão das dívidas continua indefinida,como explica o jornalista Wanderley Preite Sobrinho:
 
"O pedido de recuperação extrajudicial deu à Braskem 90 dias de sobrevida, mas não resolveu o problema que a levou até ali. Para sair da crise, a empresa precisa vencer os mesmos obstáculos que travaram a negociação nos últimos meses: convencer os credores a aceitarem o que eles já rejeitaram e persuadir os acionistas Petrobras e IG4 Capital a tirarem dinheiro do bolso.
 
A principal diferença entre o acordo que a Braskem vinha tentando e o que ela quer agora está em quantos credores vão aceitar dessa vez. Em pelo menos três rodadas de negociações, a maioria rejeitou o chamado Projeto Catalyst, um plano que previa dar à empresa cinco anos a mais para pagar suas dívidas. Os credores classificaram a oferta como 'totalmente insatisfatória'.
 
O jeito foi apelar para a recuperação extrajudicial, em que é preciso a adesão de 50% mais 1 dos credores. Agora, em vez de unanimidade, a Braskem precisa reunir a maioria para que o plano valha também para quem discordar dele. O apoio inicial, no entanto, ainda está longe do necessário: a companhia protocolou o pedido com adesão correspondente a 39,6% dos créditos sujeitos à reestruturação. 'Este prazo de 90 dias precisa ser entendido estritamente como uma janela de negociação, não como uma garantia de acordo', diz o professor de administração Jorge Ferreira dos Santos Filho, da ESPM.
 
O problema é que a base da proposta é a mesma que já havia sido rejeitada. Por dois anos e meio a Braskem não pagaria nenhum juro nem parte do valor principal dos débitos com bancos e detentores de títulos da dívida da empresa (bondholders), e o valor principal da dívida começaria a ser pago só a partir do quinto ano. É uma oferta que dá fôlego de caixa à Braskem, mas que exige dos credores as concessões que eles já sinalizaram não estar dispostos a fazer. 'É possível que alguns detentores de títulos exijam inclusive a conversão de parte da dívida em participação acionária na empresa', diz Santos Filho.
 
O acordo também não deslanchou porque os credores querem participação decisiva dos acionistas da Braskem. A cobrança mira, sobretudo, a Petrobras e a gestora IG4 Capital, que hoje controlam a Braskem. Na visão dos credores, não é justo que só eles façam sacrifícios sem que os acionistas controladores também façam a sua parte, seja colocando dinheiro novo ou oferecendo alguma garantia extra em troca, como fábricas ou participação societária.
 
Até agora, as partes não disseram se pretendem atender a essa exigência. O professor da ESPM confirma que, por ora, 'não há indicação pública de compromisso irrevogável de apoio por parte da IG4 ou da Petrobras'. O UOL procurou a Braskem, a Petrobras e a IG4 Capital, mas não recebeu resposta até a publicação desta reportagem.
 
O tempo da Braskem é curto. Como o caixa livre da companhia pode ficar negativo em US$ 821 milhões até dezembro, os 90 dias concedidos pela recuperação extrajudicial são o prazo que a Braskem tem para conseguir apoio suficiente dos credores antes que a falta de dinheiro em caixa fique insustentável..."
 
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