Jornalista Matheus Pichoneli:
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"No entorno do presidente Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL) era considerado o candidato ideal para a disputa presidencial de 2026.
Ele não tem o carisma do pai nem a confiança de aliados. Seu cartão de visitas é uma coleção de suspeitas desde que era deputado estadual no Rio e foi denunciado por se beneficiar de um suposto esquema de rachadinha – eufemismo para o crime de contratar funcionários-fantasma para o gabinete e se apropriar de seus salários. Corrupção, em outras palavras.
Flávio tem registros em muita festa estranha com gente esquisita. Já homenageou miliciano, já posou ao lado do capanga de Daniel Vorcaro, já pediu dinheiro para o dono do Banco Master (com quem se encontrava e falava ao telefone) e é amigo íntimo de um dos pivôs do escândalo do INSS.
Por isso a campanha petista estranhou que, com tanta bola de ferro no calcanhar, Flávio ainda seja uma ameaça à reeleição. No Datafolha, o presidente tem 47% das intenções de voto e o senador, 43%. Uma distância mínima, nada segura, menos ainda confortável.
Em outros tempos meia foto com um maço de dinheiro era o suficiente para abater um candidato ou candidata em pleno voo.
Flávio, ainda atrás nas pesquisas, sobrevive por algumas razões. O maior deles é o antilulismo, que faz os adeptos aceitarem qualquer nome capaz de vencer o petista em outubro. Mesmo que tenha o currículo dele.
Há outras razões.
O mal-estar na economia, com gente cada vez mais endividada e com poder de compra reduzido, joga a seu favor na hora de prometer feitiçaria.
A preocupação dos eleitores com a segurança, idem. Nesse ponto ele tem um trunfo: pode dizer que tem ao seu lado o presidente dos Estados Unidos e uma bazuca contra facções criminosas que promete classificar como terroristas. É um caminho para transformar o Brasil no novo Líbano, onde civis viram alvo no suposto combate ao Hezbollah, mas o apelo eleitoral da proposta parece efetivo.
Flávio também é beneficiado pelas andanças suspeitas de Fabio Luis Lula da Silva com lobistas interessados em estreitar os laços com o poder público. E tem batido nessa tecla.
Como um bom ativista de rede social, Flávio responde a qualquer tipo de contestação com uma única frase: “E o Lula?”
Finge que explicou alguma coisa no escândalo “Dark Horse”, que não teve uma atuação medíocre como parlamentar, que não tem como justificar a posse de uma mansão de R$ 6 milhões com o salário de senador.
Tudo isso certamente será usado contra ele na propaganda eleitoral que começa na próxima semana. A questão é quem ainda assiste tais programas. Ou quem está atento o suficiente para distribuir e multiplicar esse conteúdo nas redes.
A grande aposta no PT era que Flávio desidratasse à medida que ele e suas andanças no verão passado ficassem conhecidos. Isso já aconteceu. E ele ainda segue de pé."
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