Restrição a celulares em escolas avança, mas 39% dos diretores relatam dificuldade para aluno largar aparelho

Publicado em 30/06/2026, às 15h12
Imagem meramente ilustrativa - Imagem feita com I.A.

Paulo Saldaña / Folhapress

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Um ano após começar a valer, a restrição de uso de celulares nas escolas tem se tornado uma realidade nas unidades públicas e privadas do país. Pesquisa conduzida pelo MEC (Ministério da Educação) com gestores escolares mostra que, embora a medida tenha melhorado a participação dos alunos nas aulas, ainda há desafios, como dificuldades para convencer alunos, locais para guardar equipamentos e a fiscalização durante aulas e intervalos.

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A pesquisa tem abrangência nacional e foi realizada em uma amostra de 8.189 escolas, públicas e particulares, em ação em parceria entre MEC, Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), Unesco e Instituto Alana.

A lei que restringe celulares nas escolas foi sancionada em janeiro de 2025, em uma agenda que mobilizou parlamentares e foi abraçada pelo MEC do governo Lula (PT). A pesquisa divulgada nesta terça-feira (30) mensura a implementação desde então.

Segundo os dados, 92% das escolas relatam que conseguiram implementar a restrição. Dessas, 97% afirmam que a medida contribuiu para ampliar a participação dos estudantes nas atividades pedagógicas, 86% concordam que a restrição contribuiu para a redução de ansiedade dos estudantes, e 88% dizem que a medida ajudou a reduzir conflitos digitais e cyberbullying.

Além disso, 95% concordam que a restrição estimulou a socialização presencial.
Já 39% dos gestores escolares relatam alta dificuldade para conquistar a adesão dos estudantes às novas regras e garantir infraestrutura para armazenar os equipamentos. Enquanto 31% dizem ter problemas na fiscalização do uso de celulares durante as aulas e intervalos.

Entre os desafios, 67% veem como prioridade máxima a parceria com as famílias para limitar o tempo de tela e 61% pedem formação docente em mediação tecnológica, saúde mental e bem estar. Também há a informação de que 60% dos gestores veem a necessidade de melhorar espaços de lazer, incluindo reformas em pátios e áreas de convivência.

A secretária de Educação Básica do MEC, Kátia Schweickardt, afirmou que os principais aspectos do estudo são os ganhos de sociabilidade na escola. "Os resultados são importantes na re-humanização do papel da escola", disse ela, que ressaltou ainda que a abrangência da implementação da lei mostra como a sociedade já estava preocupada com o uso nocivo das telas.

Kátia disse que não há demonização da tecnologia ou do celular, e o uso para fins pedagógicos não é vetado. O estudo mostra que 86% dos gestores relataram que mantiveram e ampliaram atividades com tecnologias digitais.

Os dados divulgados são apenas de respostas de diretores de escolas. Ainda haverá uma nova rodada com os professores.

Não há dados nesse estudo sobre impactos de aprendizagem. A secretária do MEC afirmou que, mesmo sem esses resultados, é possível afirmar que os efeitos da restrição no comportamento dos alunos melhora as condições de aprendizagem.

Uma pesquisa realizada na Universidade de Stanford, em parceria com a Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro, conseguiu apurar uma melhora significativa nos resultados de aprendizagem após a proibição dos aparelhos nas escolas da capital carioca.

Alunos da rede municipal aprenderam em média 25,7% mais em Matemática e 13,5% mais em Língua Portuguesa no ano letivo de 2024, um ganho médio corresponde a um bimestre a mais de aprendizagem, segundo levantamento conduzido sob coordenação do pesquisador Guilherme Lichand, da Graduate School of Education de Stanford.

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