Após 28 anos sem participar de uma Copa do Mundo, a Noruega se destacou ao vencer a Costa do Marfim por 2 a 1, garantindo sua classificação para as oitavas de final, onde enfrentará o Brasil.
A seleção norueguesa, conhecida como 'Geração de Ouro', teve uma campanha impecável nas Eliminatórias, vencendo todos os oito jogos, incluindo duas vitórias contra a Itália, e marcando 37 gols, a maior média já registrada por uma equipe europeia.
Sob a liderança do treinador Stale Solbakken, que enfrentou críticas no passado, a equipe agora se beneficia de um elenco talentoso, incluindo Erling Haaland, que se destacou como o artilheiro das Eliminatórias, e se prepara para o desafio contra o Brasil no próximo domingo.
A Noruega passou 28 anos sem jogar uma Copa do Mundo, mas chegou à edição de 2026 como uma seleção a ser levada muito a sério.
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Nesta terça-feira (30/6), em Dallas, o time venceu a Costa do Marfim por 2 a 1 e se classificou para as oitavas-de-final. A seleção norueguesa, agora, enfrenta o Brasil no próximo domingo (5/7).
Esta é a quarta participação da Noruega em uma Copa do Mundo e a primeira desde 1998. Suas únicas vitórias ocorreram na fase de grupos: contra o México, em 1994, e diante da própria Seleção brasileira, em 1998.
Nas Eliminatórias da Copa do Mundo, fez uma campanha avassaladora. Venceram todos os oito jogos, incluindo dois contra a Itália. Eles são apenas o sexto time europeu a terminar com um recorde de 100% de vitórias em uma campanha de qualificação para a Copa do Mundo envolvendo seis partidas ou mais.
A presença de nomes consagrados como Erling Haaland e Martin Odegaard fez com que esta equipe passasse a ser chamada de "Geração de Ouro" da Noruega.
Desde dezembro de 2020, a equipe é treinada por Stale Solbakken, que atuou como jogador na França e teve uma breve passagem pelo Wolverhampton no início da carreira como treinador. Antes, ele atuou sete anos no comando do Copenhague.
Meio-campista que disputou 58 partidas pela seleção, ele precisou encerrar a carreira após sofrer um ataque cardíaco, em 2001, que o deixou clinicamente morto por sete minutos.
Depois de mais de duas décadas de resultados decepcionantes, a Noruega começa a colher os frutos da paciência demonstrada com Solbakken.
Após fracassar nas campanhas de classificação para a Copa do Mundo de 2022 e para a última Eurocopa, seu cargo esteve ameaçado até cerca de 20 meses atrás.
Quando sua equipe foi goleada por 5 a 1 pela Áustria, em outubro de 2024, e a linha defensiva adiantada foi repetidamente explorada, uma enquete na internet mostrou que apenas 18% dos torcedores queriam sua permanência. Mas os dirigentes mantiveram a confiança no treinador e foram amplamente recompensados.
Nenhuma seleção garantiu vaga nesta Copa do Mundo de forma mais convincente do que a Noruega, que encerrou as Eliminatórias com oito vitórias em oito jogos após golear a Itália por 4 a 1 no San Siro, na última partida da campanha.
A Inglaterra também teve campanha perfeita, mas nenhuma seleção europeia chegou perto dos noruegueses quando o assunto foi balançar as redes.
A equipe de Solbakken marcou 37 gols, oito a mais do que qualquer outra seleção, com média de 4,63 gols por partida — a maior já registrada por uma equipe europeia em uma campanha de Eliminatórias para a Copa do Mundo com mais de quatro jogos.
Na fase de grupos, a equipe terminou em segundo lugar no Grupo I, atrás da França — de quem tomou uma goleada de 4 a 1. Mas o time revidou o placar contra o Iraque e venceu Senegal por 3 a 2 para se classificar para o mata-mata.
O time também chamou a atenção por algo fora do campo. Ao comemorar a vitória sobre Senegal, os jogadores da Noruega se sentaram no gramado e simularam movimentos de remada, em perfeita sincronia.
A comemoração reproduzia a remada viking, que virou marca registrada da torcida norueguesa na Copa do Mundo de 2026.
Os pontos fortes e fracos da Noruega
Solbakken construiu gradualmente uma equipe que utiliza sua qualidade técnica para controlar as partidas e que, apesar da abundância de talento ofensivo, mantém o equilíbrio.
Solbakken afirma que a qualidade da Noruega permite à equipe "ter confiança para impor uma postura mais ofensiva até mesmo contra seleções tradicionalmente mais fortes".
Bons centroavantes são um bem precioso no futebol de seleções, e os noruegueses têm três: Haaland, Sorloth e Jorgen Strand Larsen.
O atacante Alexander Sorloth, do Atlético de Madrid, costuma cair pela ponta direita quando a equipe está sem a bola, mas se junta a Haaland na área quando a Noruega recupera a posse. Nesse momento, o lateral-direito Julian Ryerson, do Borussia Dortmund, é quem dá amplitude por aquele lado.
A equipe se beneficia de uma formação bastante consolidada, com sete jogadores que foram titulares em todos os jogos das Eliminatórias.
A Noruega também divide o posto de seleção mais alta desta Copa do Mundo, fator que pode fazer a diferença nas bolas paradas.
Quais são os principais jogadores?
Capitão tanto do clube quanto da seleção, Martin Odegaard, do Arsenal, de 27 anos, é o cérebro criativo da equipe. Apesar de ter disputado apenas cinco das oito partidas das Eliminatórias, deu sete assistências — mais do que qualquer outro jogador europeu.
O ponta Antonio Nusa, do RB Leipzig, de 21 anos, foi apelidado de "Neymar norueguês" quando despontou no futebol profissional. Ele fez jus ao apelido ao completar 27 dribles nas Eliminatórias — mais do que qualquer outro jogador europeu, com exceção de Jeremy Doku.
O incansável lateral-direito Julian Ryerson, de 28 anos, é um dos três noruegueses que atuaram todos os minutos das Eliminatórias. Seus cruzamentos pelos lados podem ser decisivos: nesta temporada, deu 18 assistências em todas as competições pelo Borussia Dortmund.
O superastro Haaland
O principal responsável por trás da campanha sem precedentes da Noruega nas Eliminatórias foi Erling Haaland, que fez 16 gols — mais do que qualquer outro jogador, de qualquer continente, nas Eliminatórias para a Copa de 2026.
Seis seleções classificadas para a Copa do Mundo de 2026 — Equador, Paraguai, Escócia, Suécia, Suíça e África do Sul — marcaram menos gols nas Eliminatórias do que Erling Haaland sozinho.
Ele teve média de um gol a cada 44 minutos, converteu 39% das finalizações e superou sua estatística de gols esperados (xG) em mais de seis gols. Nenhum de seus gols foi de pênalti — aliás, ele desperdiçou a única cobrança que teve.
Nesta Copa, ele já foi autor de cinco gols.
Da última vez que a Noruega disputou uma Copa do Mundo, Erling Haaland nem sequer havia nascido.
Nascido em Yorkshire, o atacante de 25 anos tinha direito de atuar pela Inglaterra. Mas sua ligação com o país que considera seu lar significava que havia poucas chances de isso acontecer, mesmo que isso significasse que as oportunidades de conquistar algo em nível internacional fossem reduzidas.
Mas Haaland não é um herói norueguês típico.
"Ele é confiante e pode ser um pouco atrevido. Sabe o seu valor, sabe sua qualidade e acredita em si mesmo", disse o jornalista norueguês Lars Sivertsen.
"A Escandinávia tem uma cultura mais voltada para a humildade. Erling reclamaria se estivesse no banco. Portanto, acho que ele é um pouco atípico para os noruegueses. Isso faz dele um herói interessante para nós, porque haverá momentos de reação negativa."
Mas, sobre a disputa com o Brasil no domingo, ele demonstrou humildade. Ao ser questionado sobre quais as chances dos noruegueses contra a seleção brasileira, o camisa 9 respondeu: "Pequenas possibilidades".