Rosangela Moro critica banalização de estratégia que já foi cogitada por Deltan

Publicado em 22/07/2019, às 21h48
Reprodução/Lifetime -

Folhapress

Em encontro promovido pelo Lide -grupo fundado pelo hoje governador João Doria (PSDB)- e por um shopping de luxo de São Paulo nesta segunda-feira (22) , a advogada Rosangela Moro criticou a criação de institutos que escondam fins eleitorais.

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A mulher do ministro Sergio Moro (Justiça) falou a um grupo de mulheres no shopping Cidade Jardim, no Morumbi (zona sul), durante evento sobre o tema empreendedorismo social. Rosangela tem um escritório que atua na área e atende associações e fundações.

"A gente vê muito, acontece muito em época de período eleitoral, pipocam criações de institutos, 'olha, estou fazendo o bem', indo atrás de voto. Isso é uma das receitas fadadas ao insucesso da sustentabilidade da associação", afirmou ela.

A Folha de S.Paulo mostrou em 14 de julho que o procurador da República Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato, cogitou criar um instituto para centralizar atividades dele como palestrante. A sugestão aparece em mensagens obtidas pelo The Intercept Brasil e analisadas em conjunto com o jornal.

O procurador comentou, em conversa com o colega Roberson Pozzobon, que esse formato jurídico poderia servir para evitar questionamentos legais e afastar a repercussão negativa do negócio que planejavam abrir.

"Deu o nome de instituto, que dá uma ideia de conhecimento...", escreveu Deltan, em referência a um evento organizado por uma entidade que se apresentava como um instituto.

Em sua fala, Rosangela não mencionou o episódio envolvendo o procurador que atuou com Sergio Moro na Lava Jato. A advogada fez o comentário ao ser instada a citar erros cometidos por empresas ou pessoas que pensam em atuar em causas sociais.

Ela afirmou ainda que interessados no setor devem fugir de amadorismo, investir em governança corporativa e ter normas rígidas de compliance (conformidade), já que terão que obedecer à legislação e estarão sujeitas a controle externo.

"O assistencialismo é uma palavra que a gente tem que deixar para trás, tá? A política assistencialista, na minha visão, é uma política de sucesso se você tiver quanto menos pessoas dependendo dessa política", opinou ela sobre o chamado terceiro setor.

O evento com Rosangela, só para convidados, reuniu cerca de 35 pessoas, a maioria mulheres, na tarde desta segunda em um espaço do shopping chamado M.inq (de "Mundo Inquieto").

Ela chegou e saiu acompanhada da empresária Lydia Sayeg, joalheira mais conhecida por sua aparição no reality show "Mulheres Ricas", da Band, em 2012.

A advogada se recusou a atender a reportagem no fim do evento. Os dois seguranças que a protegiam disseram que ela não queria dar entrevista. Segundo Lydia, a mulher de Moro precisava ir embora rápido para pegar um voo.

Rosangela, que se referiu ao compromisso como "uma agenda privada", foi alvo de discreta tietagem e posou para fotos com algumas das participantes. Segundo um integrante da organização, a mulher de Moro desembarcou no Brasil nesta manhã, após viagem com o ministro durante a licença de cinco dias que ele tirou, encerrada na sexta-feira (19).

Também compuseram o painel a presidente do Lide Mulher (seção feminina do grupo fundado por Doria), a empresária Nadir Moreno, e a advogada Anne Wilians, que preside o Instituto Nelson Wilians (braço social do escritório de advocacia homônimo), além da advogada Sandra Comodaro e da empresária Fabi Saad.

Pela manhã, Rosangela participou de outro evento promovido pelo Lide, o Fórum Saúde e Bem-Estar. Ela, que executa trabalhos em favor das Apaes (associações de apoio a pessoas com deficiência), deu palestra no seminário na condição de advogada especializada em doenças raras.

O Lide foi fundado por Doria -o tucano se desligou do comando do Grupo Doria, que detém o Lide, após vencer a eleição para prefeito da capital paulista em 2016. Ele passou o controle acionário aos filhos.

No mês passado, o governador homenageou Sergio Moro com a principal honraria do estado de São Paulo, a Ordem do Ipiranga. Rosangela acompanhou o marido na solenidade, no Palácio dos Bandeirantes. O gesto foi interpretado como uma movimentação de Doria com vistas à eleição presidencial de 2022.

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