Salário mínimo seria de R$ 400 se a PEC do Teto estivesse em vigor desde 1998

Publicado em 13/10/2016, às 10h44

Redação

O atual salário mínimo de R$ 880 seria reduzido a R$ 400 caso as regras da chamada PEC do Teto estivesse em vigor há 20 anos. O projeto encaminhado pelo presidente Michel Temer define que os gastos do governo federal serão congelados pelas próximas duas décadas, sendo corrigidas apenas pelo índice de inflação. 

LEIA TAMBÉM

Nesta segunda-feira (10), a Câmara dos Deputados aprovou a proposta em primeiro turno com 366 votos favoráveis, após forte pressão do Palácio do Planalto. De acordo com o Estado de São Paulo, o cálculo do salário mínimo foi feito pelo pesquisador associado do Departamento de Economia Aplicada do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), o economista Bráulio Borges. 

O estudo contou com uma simulação das regras da PEC ao orçamento de 1998, quando começou o registro da série histórica mantida pelo Tesouro Nacional. Na época, os gastos do governo eram equivalentes a 14% do Produto Interno Bruto (PIB). Em 2015, esse porcentual subiu pra 19,5%. Desde então, o salário mínimo teve crescimento real de 4,2% ao ano de acordo com Borges.

“É muito provável que o salário mínimo teria ficado congelado em termos reais, só recebendo a diferença da inflação", estimou o pesquisador. Para o Conselho Federal de Economia (Cofecon) a ideia de que o aumento do gasto público vem de despesas com saúde, educação e assistência social é errado. A instituição avalia que os juros da dívida pública são responsáveis por cerca de 80% do déficit nominal. "O salário mínimo foi o principal responsável pela redução pífia da desigualdade. 

Isso tem um impacto positivo para a atividade econômica, porque esse salário mínimo vai inteiramente para o consumo, para girar a atividade econômica. No entanto, quando o governo paga R$ 502 bilhões de reais em juros da dívida pública, isso não gira a roda da economia. Porque 85% desse volume estão concentrados em megainvestidores, apenas 0,3% dos detentores de títulos da dívida pública", explicou Júlio Miragaya, presidente do Cofecon.

Gostou? Compartilhe

LEIA MAIS

Novonor assina venda do controle da Braskem após alta nas ações da mineradora Isenção de IPTU para idosos: veja as regras e como solicitar o benefício Afinal, por que a carne bovina disparou de preço? Entenda o real motivo Saiba como vai funcionar o cashback da restituição automática do IR