Senadora paraguaia que fez ofensas racistas cobra desculpas e ameaça processar Mbappé

Publicado em 07/07/2026, às 09h57
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Celeste Amarilla, senadora do Paraguai que fez declarações racistas sobre Mbappé no último sábado, rebateu o camisa 10 da seleção francesa e exigiu que ele se retrate. Nesta segunda-feira (6), o atacante havia respondido às falas da senadora e a chamou de "desprezível".

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O que aconteceu

A polêmica começou quando Celeste Amarilla fez ataques à aparência e à origem de Mbappé. A senadora publicou as declarações no X horas depois da derrota do Paraguai para a França, pelas oitavas da Copa do Mundo, usando como pretexto o gesto do atacante ao ignorar um cumprimento do goleiro paraguaio Orlando Gill.

"Esse bruto nem aprendeu a escrever. Em vez de leite materno, mamou em cocos, e os seres mais instruídos que ouviu foram chimpanzés. Você deveria ter mostrado o dedo do meio para ele, Orlando Gill. Eu faço isso no Senado e nada acontece. Um camaronês colonizado, fingindo ser francês, ressentido, novo-rico, arrogante e feio", disse a senadora.

Dias depois, Mbappé rebateu a senadora e a chamou de "senhora desprezível". Em seu perfil no X, o atacante da seleção francesa afirmou que Amarilla "projeta a pior imagem possível" do Paraguai, após o país demonstrar "paixão e honra" em campanha histórica no Mundial.

"Madame Celeste Amarilla, você é uma senhora desprezível e indigna de sua função. Você não representa o Paraguai, um país que demonstrou paixão e honra ao longo de toda a competição. Por causa de sua irresponsabilidade e de seu racismo assumido, o mundo inteiro já esqueceu a campanha e o esforço histórico realizados pelos jogadores paraguaios nesta Copa do Mundo, para dar lugar à imagem de uma autoridade incompetente que projeta a pior imagem possível de seu país", disse Mbappé.

A senadora, já na noite de segunda-feira, rebateu novamente o atacante. Celeste afirmou que sua briga é com Mbappé, e não com a França citando a própria ligação com o país europeu — ela disse ter estudado em um colégio francês dos dois aos 17 anos, falar o idioma europeu e já ter viajado ao país, incluindo no fim do ano passado.

Ela também considerou que Mbappé se referiu ao time paraguaio como "merda" — confundindo, no entanto, o momento da atitude. Após a partida, que ficou marcada por muitas provocações entre o camisa 10 francês e os jogadores paraguaios, Mbappé comentou sobre o estilo de jogo da França na partida: "Se tivermos que colocar a mão na merda, vamos colocar a mão na merda", disse o atacante minutos depois do apito final.

"Fiquei muito irritada com a sua arrogância e desprezo desde antes da partida, quando você disse: 'Se tiver que enfiar as mãos na merda, vamos enfiar', não somos estúpidos, entendemos perfeitamente que a 'merda' era a equipe paraguaia e o time paraguaio como um todo. Depois você disse que pisaria em um saco de cocô, também entendemos bem", afirmou Celeste Amarilla.

A parlamentar também reclamou de atitudes do jogador durante a partida. Ela disse que Mbappé teria desprezado o cumprimento do goleiro paraguaio, o que, na avaliação dela, não deveria acontecer entre adversários.

"Você desprezou o cumprimento do nosso goleiro. Isso não se faz. O cumprimento entre rivais de guerra é o gesto mais nobre, na derrota e na vitória, e você negou a mão a ele e gritou a vitória na cara dele. Isso não se faz".

Depois da repercussão, a senadora afirmou que apagou as postagens e disse que não quer repetir insultos que diz rejeitar. Ela declarou que se arrependeu de ter "maltratado" com os mesmos ataques que afirma ter recebido.

Por fim, Amarilla exigiu que Mbappé também se retrate e peça desculpas a ela. A senadora afirmou que, caso o atacante não se retrate, pode tomar ações legais por "violência de gênero".

"Você não me conhece, não faz ideia de quem eu sou e não tem nenhum direito de dizer que sou uma mulher desprezível, indigna do cargo que ocupo. Sou senadora da Nação Paraguaia eleita com votos. [...] Quem é você para tentar me humilhar ou me desprezar se nem sequer me conhecer? Violência de gênero pura e dura. Justamente você, que é considerado um defensor da mulher e do gênero, usa o desprezo contra uma mulher e não ataca seu valor, nem suas preferências, nem minhas preferências, mas ataca minha condição de mulher e minha atuação política. Retrate-se comigo, faça essa homenagem à cidadania francesa e peça desculpas, caso contrário poderei iniciar ações legais por violência de gênero".

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