Redação EdiCase
Reconhecer e nomear emoções é uma habilidade essencial para o desenvolvimento socioemocional das crianças. Pais, responsáveis e educadores têm papel central nesse processo, pois são modelos e facilitadores das primeiras experiências emocionais.
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A neuropsicóloga Ma. Elaine Cristina Coelho de Campos, coordenadora do curso de Psicologia da Faculdade Anhanguera, explica que, quando crianças aprendem a identificar sentimentos — próprios e alheios —, elas desenvolvem empatia, melhoram a comunicação e ganham ferramentas para regular comportamentos em situações desafiadoras.
“Essa é uma habilidade essencial no desenvolvimento das crianças. Quando elas conseguem dizer ‘estou triste’, ‘estou zangado’ ou ‘estou com medo’, tornam-se mais capazes de pedir ajuda, resolver desentendimentos e enfrentar frustrações. Esse aprendizado também contribui para a formação da autoestima, da empatia e da capacidade de autorregulação”, avalia.
Entretanto, Ma. Elaine Cristina Coelho de Campos ressalta que isso não é só uma questão de ensinar vocabulário. “É preciso apoiar a criança a identificar sensações no corpo, relacionar essas sensações a uma emoção e achar maneiras seguras de expressá‑la. Esse processo exige tempo e varia de criança para criança”, afirma.
A seguir, a neuropsicóloga ensina formas práticas para ensinar crianças a reconhecerem e nomearem emoções. Confira!
Crie uma rotina de reconhecimento das emoções ao iniciar e encerrar o dia. Para isso, instale um painel simples (cartões, ímãs ou quadro) com 4-6 emoções básicas, utilizando imagens e palavras. Ao chegar à escola ou iniciar o dia em casa, peça que a criança escolha como está se sentindo. No fim do dia, repita o check-in e converse sobre mudanças. Para crianças pequenas, reduza as opções e aumente conforme a familiaridade.
Use narrativas para identificar emoções em personagens e relacioná-las à vivência pessoal. Para isso, selecione livros infantis que abordem sentimentos. Durante a leitura, faça pausas para perguntar: “Como você acha que o personagem está se sentindo?”, e peça que a criança explique sinais com o rosto, ações e com o tom de voz. Finalize com uma pergunta de conexão: “Você já sentiu algo parecido? O que aconteceu?”.
Ajuda a criança a desenvolver a percepção de expressões e linguagem corporal que sinalizam emoções. Para isso, promova brincadeiras em que uma criança faz uma expressão e as outras adivinham a emoção. Utilize espelhos para a criança observar suas próprias expressões e repita diferentes emoções. Destaque pistas específicas como olhos, boca, postura e incentive a descrição: “O que nos fez pensar que está triste?”.
Torne cotidiana a prática de nomear sentimentos diante de eventos concretos. Para isso, ao presenciar episódios emocionais, como a frustração por perder um brinquedo ou a alegria por um elogio, verbalize a emoção observada: “Você está triste porque o brinquedo caiu?”. Pergunte: “O que você está sentindo agora?” e ofereça palavras quando necessário. Dica: valide a emoção antes de orientar o comportamento: “Entendo que você está chateado. Vamos resolver juntos?”.
Ofereça meios não verbais para expressar e nomear emoções, o que pode ser especialmente útil para crianças com dificuldades de linguagem. Proponha pinturas, colagens ou “mapas do humor” usando cores para sentimentos, por exemplo: amarelo = alegria, azul = tristeza. Peça que nomeiem a emoção representada e expliquem a escolha das cores e formas. Exponha e comente os trabalhos, reforçando a nomeação e incentivando a reflexão sobre causas e estratégias.
Ensine a identificação da emoção e técnicas de enfrentamento eficazes. Para isso, simule situações cotidianas, como alguém pegar um brinquedo, disputa por atenção, e peça que a criança identifique o que sente e proponha soluções. Modele frases simples para validar sentimentos e escolher ações, por exemplo: “Estou chateado. Vou respirar fundo e pedir ajuda”. Além disso, ensine e pratique técnicas de regulação (respiração, contar até 10, procurar um adulto). Reforce e elogie quando a criança usar a estratégia.
A neuropsicóloga enfatiza a importância da repetição e consistência para ajudar a criança a entender e a nomear as próprias emoções. “Integre essas práticas à rotina. Use palavras acessíveis, valide sentimentos antes de corrigir comportamentos e modele nomeação emocional no seu próprio discurso. Para crianças pequenas, priorize imagens e poucas palavras; para maiores, introduza nuances (vergonha, ansiedade, frustração) e discussões mais complexas. Se persistirem dificuldades significativas em identificar ou regular emoções, considere buscar apoio de profissionais de desenvolvimento infantil ou psicólogos”, finaliza.
Por Deiwerson Damasceno dos Santos
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