Folhapress
A Polícia Civil do Rio de Janeiro, que investiga o caso de Cláudio Rafael Landeiro, 37, espancado até a morte no dia 11 de agosto após ser falsamente acusado de um roubo em Copacabana, prendeu nesta quinta-feira (20) um homem suspeito de participação no crime.
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O suspeito, que não teve a identidade divulgada, foi o responsável pela abordagem inicial à vítima e não teria participado do espancamento. Ele atua como segurança na rua em que Landeiro foi inicialmente agredido o linchamento continuou depois que a vítima saiu do local.
Segundo nota da polícia, o homem se entregou "ao perceber o cerco se fechar" com o andamento das investigações.
A 12ª DP (Copacabana) tem conhecimento da participação de três homens no linchamento. Um deles, também apontado como segurança da região, foi identificado e é considerado foragido. Este segurança cometeu agressões com golpes de porrete. Os outros agressores suspeitos dois seriam, segundo a polícia, entregadores por aplicativo. A polícia tenta identificá-los.
A delegacia recolheu gravações que indicam que o espancamento durou mais de sete minutos. As imagens foram registradas por uma câmera de segurança de um edifício na rua Felipe de Oliveira, em Copacabana, local para onde Landeiro foi após ser acusado do roubo de uma bicicleta. O veículo, segundo a família, pertencia a uma irmã da vítima.
Familiares relataram aos investigadores que a vítima possuía transtornos mentais. Segundo a polícia, a vítima foi agredida em dois momentos diferentes.
As imagens mostram que dois entregadores possuíam mochilas do iFood. Em nota, a empresa afirmou que "está colaborando com as autoridades responsáveis pelo caso" e disse lamentar a morte.
A empresa ainda afirmou que clientes, entregadores e estabelecimentos parceiros que descumprem a política de combate à violência podem receber advertências ou ter a conta permanentemente desativada.
As agressões começaram na rua Barata Ribeiro. Landeiro, que circulava de bicicleta pelo bairro, teria estacionado em um local e estava em pé, ao lado do veículo. Ele teria levantado suspeitas de pedestres, que acionaram um segurança que atua como vigilante de bares e restaurantes da região.
O segurança, segundo relatos colhidos pelos investigadores, perguntou à Landeiro se a bicicleta pertencia a ele. A vítima negou, mas teve dificuldade de comunicar que pertencia à irmã. Ali, ele foi alvo das primeiras agressões, com golpes de porrete.
O segurança preso nesta quinta-feira teria sido o responsável por impedir Landeiro de pegar a bicicleta que pertencia à irmã.
A vítima fugiu para a rua Felipe de Oliveira, também em Copacabana. A investigação indica que o segurança chamou dois entregadores para continuar as agressões. Eles o encontraram sentado na escada de um edifício. Puxado pela camisa, ele foi linchado por sete minutos.
As imagens mostram que o homem apontado como segurança desfere mais de 30 golpes de porrete, mesmo com Landeiro já caído no chão. Indica ainda que o segurança aproxima o celular do rosto da vítima, aparentemente gravando ou fotografando o homem caído.
Landeiro chegou a ser internado no hospital municipal Miguel Couto, na Gávea, mas não resistiu.
Nas redes sociais, moradores de Copacabana relatam que o homem reconhecido como o segurança responsável pelo espancamento tem outros episódios de agressões a pessoas em situação de rua.
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