Vítima de linchamento após falsa acusação de roubo foi agredida por mais de sete minutos

Publicado em 20/08/2026, às 14h55
Câmera de segurança registra momento em que supostos entregadores e segurança, com um porrete, iniciam linchamento de Cláudio Rafael Landeiro, que morreu após agressões - PCERJ
Câmera de segurança registra momento em que supostos entregadores e segurança, com um porrete, iniciam linchamento de Cláudio Rafael Landeiro, que morreu após agressões - PCERJ

Por Yuri Eiras / Folhapress

Cláudio Rafael Landeiro, de 37 anos, foi espancado até a morte em Copacabana após ser falsamente acusado de roubo, com as agressões durando mais de sete minutos e envolvendo três homens, incluindo um segurança que desferiu mais de 30 golpes com um porrete.

Landeiro, que tinha transtornos mentais, foi atacado após estacionar sua bicicleta, que pertencia à sua irmã, e a situação escalou quando pedestres acionaram um segurança que o agrediu inicialmente, seguido por dois entregadores que se juntaram ao ataque.

A Polícia Civil identificou dois dos agressores, mas não divulgou seus nomes, e investiga a colaboração da empresa de entregas iFood na identificação dos envolvidos, enquanto moradores relatam que o segurança já tem um histórico de agressões a pessoas em situação de rua.

Resumo gerado por IA

A Polícia Civil do Rio de Janeiro, que investiga o caso de Cláudio Rafael Landeiro, 37, espancado até a morte no dia 11 de agosto após ser falsamente acusado de um roubo em Copacabana, recolheu imagens que indicam que o espancamento durou mais de sete minutos e envolveu três agressores.

Entre eles está um homem apontado pelas investigações como segurança. Ele foi responsável por desferir mais de 30 golpes de porrete na vítima, segundo o vídeo.

As imagens foram registradas por uma câmera de segurança de um edifício na rua Felipe de Oliveira, em Copacabana, local para onde Landeiro foi após ser acusado do roubo de uma bicicleta. O veículo, segundo a família, pertencia a uma irmã da vítima.

Familiares relataram à 12ª DP (Copacabana) que Landeiro possuía transtornos mentais. Segundo a polícia, a vítima foi agredida em dois momentos diferentes.

A Polícia Civil identificou dois agressores, mas os nomes não foram divulgados. As imagens mostram que dois entregadores possuíam mochilas do iFood. A reportagem perguntou à empresa se ela colabora com a identificação dos agressores, mas não houve resposta até a publicação deste texto.

As agressões começaram na rua Barata Ribeiro. Landeiro, que circulava de bicicleta pelo bairro, teria estacionado em um local e estava em pé, ao lado do veículo. Ele teria levantado suspeitas de pedestres, que acionaram um segurança que atua como vigilante de bares e restaurantes da região.

O segurança, segundo relatos colhidos pelos investigadores, perguntou a Landeiro se a bicicleta pertencia a ele. A vítima negou, mas teve dificuldade de comunicar que pertencia à irmã. Ali, Landeiro foi alvo das primeiras agressões, com golpes de porrete.

A vítima fugiu para a rua Felipe de Oliveira, também em Copacabana. A investigação indica que o segurança chamou dois entregadores para continuar as agressões. Eles encontraram Landeiro sentado na escada de um edifício. Puxado pela camisa, ele foi linchado por sete minutos.

As imagens mostram que o homem apontado como segurança desfere mais de 30 golpes de porrete, mesmo com Landeiro já caído no chão. Indica ainda que o segurança aproxima o celular do rosto da vítima, aparentemente gravando ou fotografando o homem caído.
Landeiro chegou a ser internado no hospital municipal Miguel Couto, na Gávea, mas não resistiu.

Nas redes sociais, moradores de Copacabana relatam que o homem reconhecido como o segurança responsável pelo espancamento tem outros episódios de agressões a pessoas em situação de rua.

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