Bruna Fantti / Folhapress
Um dos homens com mochila de entregador suspeitos de participação no linchamento de Cláudio Rafael Landeiro em Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro, foi preso nesta sexta-feira (21) pela Polícia Civil.
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Felipe Eduardo dos Santos Silva, que teve mandado de prisão temporária expedido, se entregou. A polícia afirmou que ele se entregou porque viu "o cerco se fechar". O órgão não informou se ele confessou participação ou se constituiu defesa. A reportagem não conseguiu identificar se ele possui advogado.
A polícia ainda procura Ailton José da Silva, suspeito de ser o outro entregador que participou da ação. Ele também teve o mandado de prisão expedido.
Nesta quinta-feira (20), já haviam sido presos Davi Santos Machado, suspeito de ser o segurança que participa do linchamento com golpes de porrete, e o também vigia Jorge Luiz Ricardo Dias.
A reportagem não conseguiu contato com os advogados dos dois presos e do procurado que é considerado foragido. A polícia não informou se eles possuem defesa constituída, e o processo judicial está em segredo de Justiça, o que impossibilita a consulta ao nome de possíveis advogados. Procurada, a Defensoria Pública não respondeu até a publicação deste texto se está atendendo algum dos suspeitos.
Segundo o delegado titular da 12ª DP, Ângelo Lages, quatro homens participaram do crime, sendo que três chegaram a agredir a vítima.
O caso começou quando um segurança desconfiou de que a bicicleta usada por Cláudio, que pertencia à irmã dele, fosse roubada.
Câmeras de segurança de um prédio da rua Felipe de Oliveira registraram a sequência final do crime, na noite de 11 de agosto. Cláudio havia se sentado na escadaria de um edifício quando os dois entregadores chegaram de bicicleta e o cercaram.
Em seguida, Davi apareceu com um porrete e desferiu ao menos 30 pauladas contra a vítima, que apanhou ainda com socos e pontapés até cair desacordada na calçada, sem em nenhum momento reagir. Os agressores revistaram os bolsos de Cláudio, e um deles fotografou a cena antes de o grupo deixar o local.
Bombeiros socorreram a vítima e a levaram ao Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea, onde Cláudio morreu. Familiares foram informados de que a causa da morte foi traumatismo craniano com hemorragia interna. Para o delegado, trata-se de "um homicídio triplamente qualificado com crueldade e motivo fútil, sem possibilidade de defesa da vítima".
A Polícia Civil apura ainda se os vigilantes envolvidos exerciam a função de forma clandestina. Segundo Lages, a legislação federal autoriza empresas de segurança privada a atuar apenas dentro de estabelecimentos e prédios. Não é permitido o policiamento de vias públicas por seguranças contratados pelo comércio local, como ocorria no caso.
Jorge Luiz Ricardo Dias, 56, se apresentou à polícia por volta das 12h50 de quinta-feira e foi confrontado pela irmã de Cláudio antes de entrar na delegacia.
Segundo o delegado, Jorge teve participação acessória: não chegou a agredir a vítima, mas segurou a bicicleta e o porrete usado nas agressões e teria tentado dissuadir Davi de avançar contra Cláudio. Davi se entregou horas depois na 53ª DP, em Mesquita.
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