O presidente Luiz Inácio Lula da Silva contatou Donald Trump para discutir tarifas impostas pelos EUA ao Brasil, que Lula considera infundadas e prejudiciais para ambos os países. A conversa, que durou mais de uma hora, ocorreu em um contexto de tensões políticas, especialmente com as eleições brasileiras se aproximando.
Os EUA impuseram tarifas de até 37,5% sobre produtos brasileiros, citando questões como trabalho forçado e práticas comerciais injustas, afetando significativamente o comércio entre as nações. Lula enfatizou a necessidade de continuar as negociações para mitigar os impactos dessas tarifas.
Durante a ligação, Lula também abordou a designação de facções brasileiras como organizações terroristas, defendendo que o Brasil possui meios adequados para combatê-las sem essa classificação. Além disso, ambos os presidentes concordaram sobre a urgência de resolver conflitos internacionais, como a guerra na Ucrânia e a situação no Irã.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva telefonou, na manhã desta sexta-feira (21), para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para defender a retomada das negociações comerciais bilaterais e discutir a contenção de conflitos internacionais.
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Durante a conversa de 1 hora e 20 minutos, classificada pelo Planalto como cordial, Lula afirmou que as alegações americanas que motivaram a recente imposição de novas tarifas contra o Brasil são infundadas O governo norte-americano fundamentou as medidas alegando desmatamento, acordos preferenciais, propriedade intelectual, combate à corrupção, Pix, etanol e importações de produtos com trabalho forçado.
Lula afirmou que as tarifas afetam negativamente o Brasil e os Estados Unidos e enfatizou que o diálogo é o melhor caminho para ambos os países. Trump concordou com a necessidade de preservar os vínculos comerciais fortes e propôs o reencontro breve de suas equipes diplomáticas.
Na pauta de segurança, Lula reiterou o interesse brasileiro na cooperação com os Estados Unidos no combate ao crime organizado. O presidente argumentou que grupos criminosos exercem terror cotidiano sobre as populações mais carentes, mas não se confundem com organizações terroristas.
Ele afirmou ainda que o Brasil tem instrumentos para enfrentar essas organizações. Entre as estratégias está a asfixia financeira que já resultou na apreensão de cerca de R$ 17 bilhões. Lula apresentou ainda os avanços brasileiros no combate ao crime organizado — destacando a Lei Antifacção e a criação do Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, em Manaus. Trump se dispôs a reforçar a cooperação bilateral e afirmou que indicará funcionários de alto escalão para dar andamento às tratativas.
Os dois presidentes também conversaram sobre os principais conflitos globais, em especial as guerras na Ucrânia e no Oriente Médio. Ambos concordaram sobre a urgência de encontrar uma solução negociada para o conflito entre Rússia e Ucrânia, que já se estende por quase cinco anos. Já o presidente Trump teceu considerações sobre as perspectivas estadunidenses de resolução do conflito com o Irã.
O presidente brasileiro lamentou a inoperância do Conselho de Segurança da ONU diante dos conflitos e sugeriu a convocação de uma reunião extraordinária do órgão para buscar saídas diplomáticas. "Os grandes líderes não são aqueles que iniciam guerras, mas aqueles que põem fim aos conflitos", declarou Lula.
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