Redação EdiCase
Para muitas pessoas, o uso de medicamentos faz parte da rotina, seja para tratar doenças, controlar condições crônicas ou aliviar sintomas. No entanto, um cuidado que muitas vezes passa despercebido é a escolha da bebida utilizada para engolir os comprimidos. Embora pareça um detalhe simples, alguns líquidos podem interferir na absorção ou na ação, comprometendo a eficácia do tratamento ou aumentando o risco de efeitos adversos.
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De acordo com Maria Isabel Soares, professora do curso de Farmácia da Faculdade Anhanguera, a recomendação mais segura é utilizar água. “A água é, em geral, a opção mais indicada porque não contém componentes que possam interferir na absorção ou na ação do medicamento. No entanto, existem medicamentos que possuem orientações específicas e, nesses casos, é importante seguir a prescrição e as informações da bula”, explica.
O café contém cafeína e outras substâncias que podem interagir com determinados medicamentos. Além disso, alguns remédios podem potencializar ou modificar os efeitos da própria cafeína no organismo. “É o caso da levotiroxina, utilizada no tratamento do hipotireoidismo, cuja absorção pode ser prejudicada pelo café quando consumido muito próximo ao medicamento.”
O mesmo cuidado vale para suplementos de ferro, como o sulfato ferroso, já que compostos presentes no café podem reduzir a absorção do mineral pelo organismo quando consumido próximo à sua administração.
“Além disso, medicamentos que já contêm cafeína, como algumas formulações para dor de cabeça e enxaqueca, podem somar seus efeitos aos da bebida e favorecer sintomas como insônia, tremores, nervosismo e palpitações”, esclarece a especialista.
O leite merece atenção, porque contém cálcio e outros nutrientes capazes de interferir na absorção de determinados medicamentos. Em alguns casos, isso pode reduzir a quantidade da substância que chega à circulação e, consequentemente, comprometer o efeito esperado.
“Um dos exemplos mais conhecidos são alguns antibióticos, como as tetraciclinas, a exemplo da doxiciclina, e as fluoroquinolonas, como o ciprofloxacino. O cálcio pode formar complexos com esses medicamentos no intestino, diminuindo sua absorção”, diz Maria Isabel Soares.
Alguns sucos podem interferir na ação de determinados medicamentos. Um dos exemplos mais conhecidos é o suco de toranja, também chamado de grapefruit, que pode alterar o metabolismo de certas substâncias, aumentando ou reduzindo sua concentração no organismo. Entre os exemplos, estão alguns remédios utilizados para reduzir o colesterol, controlar a pressão arterial e tratar algumas arritmias.
Outros sucos, como o de laranja e alguns cítricos, também podem interferir com medicamentos específicos, modificando sua absorção e, em determinadas situações, comprometendo o efeito esperado. Essas interações podem ser clinicamente relevantes, dependendo do remédio e da bebida consumida.
Na ausência de uma orientação diferente do médico ou farmacêutico, a água costuma ser a escolha mais segura. Em geral, é recomendada a tomada de medicamentos com um copo cheio de água, pois outros líquidos podem interagir com o medicamento, diminuindo ou potencializando o seu efeito.
Também é importante não triturar, abrir ou dissolver comprimidos e cápsulas por conta própria, pois essa prática pode comprometer as características da formulação, principalmente nos casos de medicamentos de liberação modificada ou com revestimentos especiais. Esses recursos podem proteger o medicamento da acidez do estômago, mascarar sabores desagradáveis ou controlar a liberação da substância ativa no organismo, dependendo da formulação.
Outro cuidado é respeitar os horários indicados. Alguns medicamentos devem ser tomados em jejum, enquanto outros precisam ser administrados junto às refeições para melhorar a tolerância ou a absorção.
“Uma atitude simples que ajuda a evitar problemas é informar ao profissional de saúde todos os medicamentos utilizados e perguntar especificamente como cada um deve ser tomado. Isso inclui medicamentos de uso contínuo, produtos vendidos sem receita, vitaminas e suplementos”, destaca Maria Isabel Soares.
Por Camila Crepaldi
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