Ucrânia vence a Rússia na 1ª batalha naval de drones

Publicado em 13/09/2026, às 16h34
Ucrânia vence a Rússia na 1ª batalha naval de drones - Marinha da Ucrânia

Igor Gielow / Folhapress

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Na primeira batalha naval entre drones registrada na história, um bote-robô da Ucrânia levou a melhor sobre seu adversário russo no mar Negro.

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A Marinha ucraniana divulgou um vídeo sem data revelada neste sábado (12). Nele, um modelo Sargan-3000 equipado com uma metralhadora de 12,7 mm duela com um modelo semelhante, mas não identificado, das forças de Vladimir Putin.

O Sargan, que empresta seu nome da palavra ucraniana para peixe-agulha, foi revelado em abril deste ano. Segundo a Marinha, o serviço secreto militar identificou o alvo, que estava sendo monitorado por um drone aéreo pelo que se vê no vídeo, e enviou o bote para combate.
A Rússia não comentou o vídeo, mas um analista militar moscovita afirmou à reportagem que ele era legítimo, e que de fato não há registro de alguma batalha do tipo até então.

Militarmente, é apenas um detalhe na Guerra da Ucrânia, que se arrasta por quatro anos e meio, mas o incidente é um marco da história naval.

Drones aquáticos, submarinos ou de superfície, fazem parte do conflito desde seus primórdios. Mas nunca havia ocorrido um embate direto entre robôs, que usam alguma medida de inteligência artificial em seus comandos.

O Sargan foi idealizado como mais uma plataforma para ataques suicidas depois que a Marinha da Ucrânia foi obliterada pelos russos no conflito. O emprego desses drones por Kiev foi bastante eficiente, obrigando a Frota do Mar Negro do rival a procurar refúgio em portos mais distantes.

Ainda assim, a força naval de Vladimir Putin na região foi afetada, com o site de monitoramento de perdas militares comprovadas Oryx contando 25 navios e 1 submarino destruídos —entrando no balanço aqueles atingidos por mísseis e drones aéreos.

O caso mais famoso foi logo no começo da guerra, quando o cruzador Moskva, nau-capitânia da frota, foi afundado por mísseis costeiros ucranianos. Os drones, que ganharam força a partir de 2024, introduziram mais um elemento de guerra assimétrica.

Logo, os russos desenvolveriam seus próprios drones aquáticos, com o primeiro sucesso contra um navio mercante ucraniano no fim de 2025.

O mar Negro tem sido um teatro ativo da guerra neste ano. Ao lançar sua campanha de drones e mísseis de longa distância, Kiev mirou navios graneleiros russos que deixam a região do rio Don.

O impacto foi grande, levando a uma retaliação intensa contra portos e embarcações da Ucrânia no entorno de seu principal porto, Odessa. Estimativas preliminares falam numa queda de 75% das exportações de grãos ucranianos, principal fonte de renda do país, e de 60% na Rússia.

O presidente Volodimir Zelenski propôs uma trégua específica na região, sem sucesso. Ele também mantém uma campanha ativa contra a infraestrutura logística e energética russa, mirando refinarias.

Isso levou a uma crise de abastecimento na Rússia, que teve de vetar a exportação de diesel e gasolina, além de importar combustíveis. Para Putin, dono da segunda maior produção de petróleo do mundo ao lado da Arábia Saudita, foi um baque que até atingiu sua popularidade, segundo pesquisas.

A retaliação também se intensificou, com os russos intensificando ataques com mísseis balísticos contra Kiev e outros centros urbanos. Tudo isso fez disparar a mortalidade de civis no conflito para o nível mais alto desde o primeiro mês da guerra.

Neste domingo, o presidente Donald Trump conversou com Zelenski ao telefone. A repórteres na Irlanda, o americano disse que pediu para que os ucranianos parassem de "atacar o diesel russo". "Há muitos outros alvos. Não ataque o diesel", afirmou, sem relatar a reação ucraniana.

Trump retomou a tentativa de mediar o conflito na semana passada, quando seus enviados Steve Witkoff e Jared Kushner estiveram com Putin e Zelenski. Ainda é incerto quando as negociações serão retomadas. Caso ocorram, elas provavelmente serão em Abu Dhabi.

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