Uma explicação para a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro

Publicado em 27/03/2026, às 19h40

Flávio Gomes de Barros

Nos corredores do Supremo Tribunal Federal há uma explicação para o ministro Alexandre de Moraes, que não nutre a mínima simpatia por Jair Bolsonaro – muito pelo contrário – ter concedido prisão domiciliar por três meses ao ex-presidente da República.

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Não foi por piedade, por conta da sua debilitada saúde, nem por qualquer fundamento jurídico – foi, na verdade, por medo da repercussão negativa para o STF.

Ocorre que, alertado por ministros da Corte, Moraes lembrou do caso do ex-deputado federal Nelson Meurer, um dos primeiros presos na saudosa Operação Lava Jato, que contraiu Covid e morreu na cadeia, em 19 de julho de 2020, após ser negado pedido de prisão domiciliar.

Outro episódio lembrado por colegas do STF: a morte de Cleriston Pereira da Cunha, preso pelos atos de 8 de janeiro de 2023, em Brasília.

O empresário, que tinha problemas cardíacos e apresentara vários atestados médicos, morreu aos 46 anos, no presídio da Papuda, sem que Alexandre de Moraes atendesse ao parecer favorável pela sua soltura, emitido dois meses antes pela Procuradoria-geral da República,

A imagem negativa do Supremo - 60% dos brasileiros dizem não confiar no trabalho e nos ministros do STF – também contribuiu para Jair Bolsonaro ser beneficiado com a prisão domiciliar.

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