Vídeo: entenda como funcionava a falsificação de cigarros em AL

Publicado em 07/07/2016, às 07h03

Redação

De acordo com os levantamentos que vinham sendo realizados há quatro meses, as quadrilhas presas por falsificar cigarros em Alagoas e outros estados, desbaratadas nesta quinta-feira (7), durante operação conjunta, eram especializadas em comercializar cigarros falsificados, produzidos no Brasil, mas com selos de marcas paraguaias já bem aceitas no mercado nacional, como Eight, Gift, Bello e Meridian.

LEIA TAMBÉM

Os revendedores compravam os produtos de fábricas clandestinas, localizadas, em sua maioria, na região Sul do país, e distribuíam para diversos centros de comércio no Nordeste. Os dois bandos possuíam uma estrutura organizada, cujos integrantes exerciam papéis distintos. Existiam os fornecedores regionais, os estaduais, e os locais, fora os vendedores que comercializavam para o consumidor final.

Foram justamente dois desses vendedores, que vendiam cigarros falsificados no Mercado da Produção e na Feira do Artesanato, no Centro da capital alagoana, que se tornaram o ponto de intersecção entre as organizações criminosas. Ora eles compravam a mercadoria de uma das quadrilhas, ora compravam da outra, o que tornou possível mapear os núcleos que sustentavam o esquema criminoso.

Veja vídeo de uma das apreensões feitas nesta madrugada:

Prejuízos para a sociedade

O Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social de Fronteiras (Idesf), associação civil sem fins lucrativos que realiza pesquisas e estudos sobre os prejuízos causados por esse tipo de crime no Brasil, levantou que hoje, no país, o cigarro ilegal movimenta R$ 6,5 bilhões ao ano. Isso tudo impulsionado pela alta demanda, baixa punição e potencial de ganho das organizações criminosas com os esquemas ilegais.

Ainda de acordo com o Instituto, entre as apreensões de cigarros realizadas no Brasil, há os carregamentos que entram de forma ilegal pelas fronteiras, e aqueles produzidos em fábricas clandestinas, dentro do próprio território brasileiro. Nesses estabelecimentos são produzidos não apenas cigarros com marcas paraguaias, mas também de marcas nacionais.

De 2012 até hoje, o Idesf contabilizou o fechamento de 16 fábricas clandestinas no país. Dez delas eram localizadas na região Sul. O restante ficava no Sudeste e no Nordeste. A última foi interditada no último dia cinco, durante uma operação da Receita Federal e da Polícia Militar, em São Sebastião do Paraíso, em Minas Gerais.

Os prejuízos causados pelo comércio ilegal de cigarros atingem diversos setores e estão intimamente ligados a outros delitos. Um levantamento do Idesf apontou que mais de 70% dos carros apreendidos com cigarros no Brasil são roubados.

As perdas atingem também a indústria nacional, que sofre concorrência desleal. Os criminosos não pagam impostos nem seguem normas de higiene e segurança do trabalho. Afora, também, os prejuízos à saúde dos consumidores, que inalam substâncias desconhecidas, às margens da lei e das fiscalizações.

Gostou? Compartilhe

LEIA MAIS

Polícia ouve família de homem que morreu após grave ferimento no ânus Homem que teve pedaço de madeira introduzido no ânus morre no Agreste de Alagoas Operação Green Box: homem é preso e cerca de 10 kg de droga são apreendidos em Alagoas Foragido por homicídio no PR é preso com CNH falsa em AL; armas, cartões e joias são apreendidas