Vídeos inéditos mostram o misterioso tubarão-duende nas profundezas do oceano; confira

Publicado em 15/06/2026, às 20h29
- Ocean Exploration Trust/Nautilus Live

Galileu

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Por décadas, o tubarão-duende (Mitsukurina owstoni) parecia existir apenas em encontros raros com seres humanos. Apesar de ter sido descrito pela ciência ainda no século 19, todos os indivíduos observados vivos até hoje haviam sido capturados e trazidos à superfície. Agora, pela primeira vez, pesquisadores conseguiram registrar a espécie em seu habitat natural, nas profundezas do oceano.

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Os registros foram detalhados em um estudo, publicado em 19 de maio na revista Journal of Fish Biology, que relata duas observações inéditas do tubarão-duende no ambiente em que vive. As imagens foram obtidas em expedições realizadas no Oceano Pacífico, uma em 2019 e outra em 2024.

Conhecido pelo focinho achatado e alongado e pela mandíbula capaz de se projetar rapidamente para capturar presas, o tubarão-duende é considerado uma das espécies mais peculiares entre os tubarões. Ele habita regiões profundas dos oceanos Atlântico, Índico e Pacífico, o que ajuda a explicar por que é tão pouco estudado.

A primeira observação ocorreu durante uma expedição do navio de pesquisa E/V Nautilus próxima à Ilha Jarvis, no Pacífico Central. Um veículo operado remotamente registrou um indivíduo macho solitário a cerca de 1.237 metros de profundidade. Os pesquisadores estimam que o animal media aproximadamente 3,43 metros de comprimento.

Judah et al., 2026/Fish Biology via Steve Auscavitch

 

O segundo registro aconteceu em 2024, na encosta da Fossa de Tonga. Embora a qualidade das gravações não permitisse uma identificação completa, os cientistas acreditam que o animal observado era uma fêmea, já que não apresentava estruturas reprodutivas típicas dos machos.

Veja abaixo vídeos sobre os registros feitos do tubarão-duende no fundo do oceano:

Além de registrar o comportamento da espécie em seu habitat, os avistamentos expandiram o conhecimento sobre onde esses animais vivem. Segundo os autores, a observação na Fossa de Tonga aumentou em 697 metros a profundidade máxima conhecida para o tubarão-duende. O registro também ampliou a distribuição geográfica conhecida da espécie no Pacífico e estendeu o limite de profundidade documentado para os tubarões da ordem Lamniformes.

Segundo o portal IFLScience, além da aparência incomum, o tubarão-duende é conhecido por ter uma estratégia de alimentação bastante eficaz. A espécie consegue projetar suas mandíbulas para a frente em velocidades que podem alcançar cerca de 3,1 metros por segundo. Esse movimento permite capturar até mesmo presas velozes que estariam fora de alcance, já que o tubarão nada de maneira lenta.

Essa adaptação pode ser especialmente importante nos ambientes profundos e pobres em alimento onde a espécie vive. O tubarão-duende se alimenta de peixes, crustáceos (camarões e caranguejos) e cefalópodes (lulas e polvos) encontrados próximos ao fundo do mar (zona bentopelágica).

Os registros vão além da curiosidade científica. Compreender a distribuição e os habitats utilizados pelo tubarão-duende pode ajudar no desenvolvimento de estratégias de conservação para espécies de águas profundas, especialmente em um contexto de crescente pressão humana sobre os ecossistemas oceânicos.

Depois de mais de um século desde sua descoberta, o tubarão-duende continua sendo um dos habitantes mais misteriosos do oceano profundo. As imagens inéditas oferecem uma rara oportunidade de observar a espécie onde ela realmente vive e representam um avanço importante para o conhecimento sobre esse predador das profundezas.

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