Canibalismo já foi comum em diferentes povos, mas por que desapareceu?

Publicado em 23/07/2026, às 22h19
Domínio público/Wikimedia Commons
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Por Galileu

Um estudo recente indica que o canibalismo, embora tenha sido parte da história humana, é biologicamente inviável a longo prazo devido aos riscos de infecção e custos epidemiológicos que superam os benefícios nutricionais.

Os pesquisadores analisaram a eficiência do canibalismo através de simulações matemáticas, concluindo que, apesar de ser uma refeição mediana, os perigos associados ao consumo repetido de carne humana podem levar a um colapso populacional.

As normas culturais que proíbem o canibalismo surgiram como uma forma de proteção imunológica, refletindo como a dinâmica epidemiológica pode influenciar a evolução cultural e a formação de tabus sociais.

Resumo gerado por IA

O canibalismo em sociedades antigas é algo bem documentado por registros históricos e estudos modernos, mas a prática parece ter desaparecido ao longo do tempo. E não por acaso: o costume de se alimentar de carne humana, independente das razões, seria “biologicamente inviável”, segundo um novo estudo publicado em junho na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

Apesar de se tratar de um tabu em muitas civilizações, é inegável que o canibalismo fez parte da história humana. Enquanto a prática era apenas uma tática de sobrevivência em algumas culturas, outras adotaram o costume como parte de seus rituais. Os pesquisadores do estudo resolveram analisar o quão eficiente essa atividade era a longo prazo, tudo através de simulações matemáticas.

Vale a pena ser canibal?

A primeira etapa do estudo foi pensar no corpo humano como nada mais que uma fonte de alimento: foram analisados índices nutricionais e ganhos calóricos. Porém, não existem ganhos sem custos. Os cientistas também levaram em consideração fatores como aquisição, digestão e infecção associados ao alimento.

Em comunicado da Universidade de Wrocław, eles afirmam que, do ponto de vista calórico, o ser humano se mostra uma refeição mediana, especialmente considerando a dificuldade de obtê-lo. Entretanto, o principal problema no consumo de carne humana está nos riscos de infecção, especialmente nos casos em que o canibalismo é uma atividade repetitiva. O perigo de doenças através da ingestão de um outro canibal aumenta exponencialmente conforme a cadeia de consumo aumenta.

Isso quer dizer que a prática esporádica não teria tanto impacto no estilo de vida de sociedades, mas, ao longo prazo, os custos epidemiológicos facilmente superariam os benefícios nutricionais, acarretando num colapso populacional.

“O modelo demonstra que o canibalismo é viável apenas sob condições ecológicas específicas e torna-se insustentável à medida que as cadeias tróficas se alongam. Essas restrições ajudam a explicar tanto sua ocorrência episódica quanto o surgimento generalizado de tabus relacionados ao canibalismo”, descrevem os autores no artigo.

Tabu serve como proteção

Mesmo que o estudo não foque nas razões para que o canibalismo tenha se tornado um tabu, os cientistas declaram que existem sim motivos para que ele passasse a ser visto de maneira negativa. As normas culturais que proíbem o costume servem, de uma forma ou de outra, como proteção imunológica de grupos humanos.

“De forma mais ampla, as descobertas ilustram como a dinâmica epidemiológica pode moldar a evolução cultural, produzindo normas estáveis ​​que limitam comportamentos que são adaptativos localmente, mas desestabilizadores globalmente”, completam.

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