Redação EdiCase
Presente em cozinhas de diferentes partes do mundo, a pimenta-do-reino vai além de conferir sabor e aroma às receitas. A especiaria contém compostos bioativos que têm despertado o interesse de pesquisadores por seus possíveis efeitos no organismo. Entre eles está a piperina, substância responsável pelo sabor picante característico do tempero.
LEIA TAMBÉM
A pimenta-do-reino é o fruto da Piper nigrum, planta originária do sul da Índia. A pimenta preta, a branca e a verde pertencem à mesma espécie. O que muda é principalmente o estágio de maturação e a forma como os frutos são processados.
A pimenta preta é produzida a partir dos frutos ainda verdes, que passam por um processo de secagem. Já a pimenta branca é obtida de frutos mais maduros, cuja camada externa é retirada antes da secagem. A pimenta verde, por sua vez, é colhida antes da maturação completa, mas passa por processos que ajudam a preservar sua coloração característica.
A piperina é o principal composto bioativo associado à pimenta-do-reino. Pesquisas experimentais como “In vitro α- amylase and α- glucosidase enzyme inhibition and antioxidant activity by capsaicin and piperine from Capsicum chinense and Piper nigrum fruits”, publicado no Journal of Environmental Science and Health, indicam que a substância pode interferir na atividade de algumas enzimas digestivas, assim como seu potencial efeito antioxidante. Esses resultados, porém, precisam ser interpretados com cautela.
Essa é uma das associações mais comuns feitas à piperina, mas a evidência científica ainda não sustenta a ideia de que a pimenta-do-reino seja um alimento emagrecedor. “Existem estudos que investigam possíveis efeitos da piperina sobre metabolismo, adipogênese e obesidade. São interessantes do ponto de vista científico, mas não autorizam afirmar que acrescentar pimenta à alimentação provoque perda de peso significativa em seres humanos”, explica o Prof. Dr. Durval Ribas Filho, médico nutrólogo, presidente da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN) e palestrante do CBN 2026.
Segundo o especialista, a pimenta pode integrar uma alimentação equilibrada, mas não substitui estratégias comprovadas para controle do peso. “Uma alimentação adequada, a prática regular de atividade física e, quando necessário, o tratamento médico continuam sendo os pilares do cuidado com o excesso de peso”, afirma.
Para a maioria das pessoas, o consumo em quantidades utilizadas normalmente na culinária não representa problema. A situação é diferente para quem apresenta sensibilidade individual a alimentos condimentados. Nesses casos, a especiaria pode provocar ou intensificar sintomas gastrointestinais, como ardência, desconforto ou sensação de irritação. A tolerância varia entre as pessoas.
Também é importante diferenciar a pimenta usada como tempero dos extratos e suplementos concentrados de piperina. As concentrações são muito superiores às encontradas em uma porção habitual de alimento e os efeitos no organismo podem ser diferentes.
Existe uma vantagem prática no uso de especiarias na alimentação: elas aumentam sabor e aroma e podem ajudar a reduzir a dependência do sal para tornar as preparações mais agradáveis. Nesse caso, o benefício não está em um efeito medicinal da pimenta, mas na possibilidade de diversificar os temperos e reduzir o uso excessivo de sódio. A estratégia pode ser combinada com outras ervas e especiarias, como alho, cebola, cúrcuma, alecrim, manjericão e orégano.
Por Andréa Simões
LEIA MAIS