Além de prejudicar a qualidade de vida do pet, alguns tipos de parasitas também podem representar riscos para os humanos
Os animais de estimação podem ser afetados por vermes, que são parasitas capazes de comprometer a saúde e o bem-estar ao longo do tempo. Esses organismos podem se instalar no intestino, no coração ou em outros órgãos, causando sintomas como perda de peso, fraqueza, diarreia, vômitos e até problemas mais graves quando não tratados.
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Nesse contexto, segundo a médica-veterinária e professora do curso de Medicina Veterinária da Uniderp, Vanessa Couto Carneiro, a vermifugação é muito importante nos primeiros meses de vida de cães e gatos para prevenir e tratar os temidos vermes, que podem causar doenças nos pets, além de alguns serem transmitidos para os humanos.
“Vermifugar significa desparasitar, ou seja, eliminar parasitas que podem causar malefícios à saúde dos animais. Para isso, há diversos tipos de vermífugos no mercado, e a melhor indicação de uso sempre deve partir de um veterinário que acompanha o pet regularmente”, destaca.
A seguir, ela explica as três principais doenças que animais sem vermifugação podem ser acometidos. Confira!
Os vermes da família Ascaridae se alojam no intestino de cães e gatos e podem ser observados a olho nu pelo tutor nas fezes e vômitos do animal contaminado. Em cães, pode causar morte devido à enterite e/ou bloqueio gastrointestinal, além de anorexia, diarreia, vômito, dor abdominal e baixa taxa de crescimento.
Em gatos, geralmente, é assintomática. Em humanos, o verme pode causar dor abdominal, febre, hepatomegalia e tosse, pois a larva migra para órgãos como fígado, pulmão, cérebro e olhos, podendo comprometer o sistema neurológico e até cardíaco em alguns casos.
Causada pelos Ancilostomídeos, parasitas que se alojam no intestino delgado, pode afetar humanos, cães e gatos, causando diarreia, muitas vezes com sangue, anemia e morte nos pets. A contaminação ocorre por meio da ingestão de água e alimentos contaminados. Em humanos, pode causar o popular “bicho geográfico”.
Parasita cestódeo, é um verme chato que pode ser transmitido para cães e gatos por meio das pulgas. Quando instalado no trato intestinal do pet, geralmente não provoca sinais clínicos, mas pode causar irritação no reto, e os animais esfregam ou “arrastam” o períneo no chão. Ocasionalmente, pode ocorrer enterite e/ou obstrução intestinal.
Os gatos são mais tolerantes a infestações por esse parasita. Em humanos, é transmitido geralmente para crianças ao ingerirem pulgas infestadas, podendo apresentar irritação perianal e/ou distúrbios intestinais leves.

A primeira dose do vermífugo deve ser aplicada entre 15 e 30 dias de vida dos pets, sendo reforçada a segunda dose 15 dias depois da primeira aplicação. O Conselho Tropical para Parasitos de Animais de Companhia (TroCCAP) recomenda a vermifugação em cães de 15 em 15 dias a partir de duas semanas de vida até o filhote completar 8 semanas.
“Em gatos, o conselho recomenda o início da vermifugação com 3 semanas de idade, repetindo quinzenalmente até 10 semanas de vida. Respeitar esse calendário é fundamental, já que as verminoses podem ser passadas da mãe para o filhote ainda durante a gestação, pela via transplacentária, ou mesmo pelo leite, durante a amamentação”, completa Vanessa Couto Carneiro.
Depois das 8 ou 10 semanas de vida, em geral, os pets precisam de doses de vermífugo mensais até os seis meses, de acordo com o TroCCAP. Posteriormente, o intervalo pode ser aumentado para doses a cada três meses.
Contudo, é importante lembrar que o uso indiscriminado de antiparasitários pode tornar populações de vermes ou de qualquer outro parasita resistentes a esses medicamentos. Portanto, todo esse processo deve ser acompanhado por um médico veterinário.
Além da vermifugação, alguns cuidados também são fundamentais para prevenir que os animais sejam contaminados por vermes. “Uma das formas mais comuns de transmissão de vermes para cães e gatos é pelo consumo de água e alimentos contaminados”, explica a médica-veterinária. Segundo ela, por exemplo, é recomendado não oferecer carne crua aos pets, pois pode servir como fonte de contaminação de vermes gastrointestinais.
Ademais, os cuidados com a alimentação ajudam tanto na prevenção quanto no tratamento do animal com vermes. “A nutrição adequada de qualquer animal dá suporte ao seu sistema imunológico e ajuda na prevenção de infestações parasitárias graves”, afirma.
Ela acrescenta que até mesmo os animais que vivem dentro de casa ou apartamento podem ser expostos a contaminações quando saem para passear com o tutor. Por isso, a vermifugação é sempre recomendada.
Por Camila Souza Crepaldi