O procedimento continua sendo fundamental no tratamento da obesidade grave
O crescimento do uso de medicamentos para emagrecimento, especialmente os análogos de GLP-1, mudou o debate sobre obesidade no Brasil e no mundo. Nas redes sociais e até em consultórios, aumentou a percepção de que as chamadas “canetas emagrecedoras” poderiam substituir definitivamente a cirurgia bariátrica. No entanto, essa interpretação é equivocada.
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Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), a cirurgia bariátrica segue como uma das principais ferramentas no tratamento da obesidade grave, especialmente para pacientes que não conseguem resultados sustentáveis apenas com tratamento clínico. A entidade também demonstra preocupação com a queda no número de cirurgias e o uso indiscriminado de medicamentos sem acompanhamento médico.
A seguir, confira os principais alertas sobre cirurgia bariátrica em meio ao avanço das canetas emagrecedoras!
Apesar da popularização dos medicamentos para perda de peso, a cirurgia bariátrica continua sendo recomendada em muitos casos. “Existe uma narrativa errada que se instalou nos consultórios e nas redes sociais de que, com a chegada dos análogos de GLP-1 e outros medicamentos, a cirurgia bariátrica perdeu sua vez. Isso não é verdade. Existe um tratamento para cada tipo de paciente e os medicamentos e a cirurgia, em muitos casos, devem ser complementares”, afirma o presidente da SBCBM, Dr. Juliano Canavarros.
Segundo ele, a obesidade é uma doença complexa e o tratamento precisa ser individualizado.
Os novos medicamentos utilizados para emagrecimento representam um avanço importante, mas possuem limitações, principalmente relacionadas ao acesso e à manutenção dos resultados. “Os novos medicamentos são extraordinários, mas ainda não são democráticos e funcionam enquanto a pessoa está utilizando”, explica o Dr. Juliano Canavarros.
A SBCBM alerta que muitos pacientes abandonam tratamentos tradicionais acreditando que as medicações irão resolver definitivamente a obesidade sem necessidade de acompanhamento contínuo.

Outro ponto de atenção envolve o crescimento do uso clandestino de medicamentos para emagrecimento, muitas vezes adquiridos sem prescrição ou vindos de outros países. A automedicação pode trazer riscos importantes à saúde e atrasar tratamentos adequados para obesidade e doenças associadas.
“Não temos dados precisos sobre a fila para cirurgia no país, a doença avança e há um descontrole no que se refere ao uso de medicamentos clandestinos e sem acompanhamento médico“, alerta o presidente da SBCBM.
Dados da SBCBM mostram redução no número de cirurgias bariátricas realizadas nos últimos anos. Em 2024, houve queda de 18% em relação ao ano anterior.
“Embora não tenhamos estudado a causalidade, a preocupação é que muitos pacientes estejam optando por terapias não cirúrgicas para obesidade sem compreender totalmente todas as opções disponíveis”, afirma o Dr. Juliano Canavarros.
A entidade também destaca que milhares de brasileiros aguardam pelo procedimento no Sistema Único de Saúde (SUS), enfrentando demora no acesso ao tratamento especializado.
Enquanto o debate sobre tratamentos cresce, os números da obesidade seguem aumentando no país. Dados do Ministério da Saúde apontam crescimento expressivo da obesidade entre adultos brasileiros nas últimas décadas.
Segundo a pesquisa Vigitel 2025, o número de adultos com obesidade cresceu 118% entre 2006 e 2024. No mesmo período, também aumentaram os casos de diabetes, hipertensão e excesso de peso.
“A cirurgia bariátrica é hoje o único tratamento efetivamente disponível para obesidade dentro da rede pública de saúde e, também, o único capaz de apresentar resultados consistentes a longo prazo. Os benefícios vão muito além da perda de peso, incluindo impacto direto na redução de doenças associadas e até nos custos do sistema de saúde”, conclui o presidente da SBCBM, Dr. Juliano Canavarros.
Por Sarah Carvalho
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