Planejamento antecipado ajuda a revisar liderança, posicionamento, modelo de negócio e novas fontes de receita antes da virada do ano
Enquanto muitas empresas deixam o planejamento estratégico para os últimos meses do ano, empresários que buscam crescimento consistente já começam a tomar as decisões que vão definir seus resultados em 2027. O movimento amplia o foco do planejamento para além das metas financeiras e inclui temas como liderança, posicionamento, novas fontes de receita e expansão.
LEIA TAMBÉM
“O empresário que chega em novembro para pensar no próximo ano já está atrasado. As empresas que crescem de forma consistente usam o segundo semestre para tomar decisões estruturantes. É agora que elas revisam modelo de negócio, posicionamento, liderança e oportunidades de expansão”, afirma Fernanda Tochetto, psicóloga e fundadora do Tittanium Club.
Para a especialista, antecipar essas discussões permite que mudanças importantes sejam testadas, corrigidas e incorporadas à operação antes do início de um novo ciclo.
A seguir, a empresária e treinadora comportamental, que soma mais de duas décadas de experiência no desenvolvimento pessoal e empresarial, lista cinco decisões que podem começar a ser tomadas agora para preparar os negócios para 2027. Confira!
Uma das primeiras análises é verificar se a maneira como a empresa se apresenta ainda corresponde ao espaço que pretende ocupar no mercado. Isso envolve observar público, proposta de valor, diferenciais, comunicação e reputação. Em alguns casos, o negócio evoluiu, ampliou serviços ou conquistou novos clientes, mas continua sendo percebido da mesma maneira de anos atrás. Essa diferença entre o que a empresa se tornou e a forma como é reconhecida pode limitar novas oportunidades.
“Posicionamento não é apenas comunicação. Ele influencia como o mercado entende o valor da empresa, quem ela atrai e até quais oportunidades chegam ao empresário. Crescer também exige deixar claro por que aquele negócio deve ser escolhido”, explica Fernanda Tochetto.
O crescimento também exige mudanças na maneira de liderar. Centralizar decisões e permanecer envolvido em todas as atividades pode funcionar durante determinado estágio da empresa, mas tende a se transformar em um obstáculo conforme a operação aumenta. Por isso, delegação, formação de lideranças, definição de responsabilidades e desenvolvimento da equipe precisam fazer parte do planejamento.
“O crescimento acontece duas vezes: primeiro na mente do empresário e depois dentro da empresa. Se o líder continua tomando decisões com a mesma lógica utilizada quando o negócio era menor, a própria liderança pode se transformar em um limite para a expansão”, afirma a empresária.
Outro exercício importante é analisar se o faturamento está excessivamente concentrado em um único produto, serviço ou perfil de cliente. A partir dessa avaliação, o empresário pode estudar produtos complementares, serviços recorrentes, novas soluções para clientes atuais ou possibilidades de atuação em outros segmentos. A decisão, porém, precisa partir de uma demanda identificada e estar alinhada à capacidade de entrega da empresa.
“Esse é um dos pontos trabalhados no Tittanium Club, ecossistema de educação empresarial e execução voltado a profissionais que buscam estruturar o crescimento dos negócios. Entre as frentes abordadas, estão modelo de negócio, vendas, autoridade e liderança, com foco em transformar planejamento em aplicação prática”, destaca a fundadora.

A reputação do empresário também pode influenciar a capacidade da empresa de gerar negócios. Para a especialista, autoridade não deve ser confundida com quantidade de seguidores ou exposição constante nas redes sociais. Ela é construída pela combinação entre conhecimento, posicionamento, coerência e resultados entregues. Quando essa percepção se consolida, a reputação do líder pode contribuir para atrair clientes, gerar indicações e abrir espaço para novas parcerias.
“Autoridade não é falar mais alto. É ser lembrado quando alguém precisa resolver determinado problema. Quando o empresário consegue construir essa percepção, a reputação passa a abrir portas para clientes, parcerias e novas oportunidades”, diz Fernanda Tochetto.
Networking também pode fazer parte do planejamento estratégico. A diferença está em não procurar contatos apenas quando surge uma necessidade comercial. Manter relacionamentos com empresários, fornecedores, especialistas e profissionais de outros setores ajuda a ampliar o repertório, trocar experiências e identificar oportunidades que dificilmente apareceriam dentro da rotina da própria empresa.
“Quem cresce sozinho tende a levar mais tempo para descobrir caminhos que outros empresários já percorreram. A troca de experiências permite aprender com erros e acertos e tomar decisões com mais informação”, explica a fundadora do Tittanium Club.
A convivência entre empresários integra a proposta do ecossistema, que combina mentorias, acompanhamento e encontros presenciais. A ideia é utilizar essas conexões não apenas para ampliar a rede de contatos, mas também para compartilhar experiências, validar decisões e acelerar a execução de estratégias.
Para Fernanda Tochetto, uma das principais mudanças está em abandonar a ideia de que o planejamento do próximo ano deve ser concentrado em novembro ou dezembro. Algumas decisões precisam de meses para sair do papel e começar a produzir resultados.
Contratação e formação de líderes, lançamento de produtos, mudanças de posicionamento, criação de novas fontes de receita e projetos de expansão são exemplos de movimentos que exigem preparação. Quanto antes forem definidos, maior será o tempo disponível para testar, avaliar resultados e fazer ajustes.
“Os resultados de 2027 não serão construídos em janeiro. Eles começam a ser definidos agora, pelas decisões que cada empresário escolhe tomar enquanto ainda existe tempo para preparar a empresa”, conclui.
Por Carolina Lara
LEIA MAIS
+Lidas