Jornalista Rodolfo Borges:
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"O levantamento do Instituto Paraná Pesquisas divulgado na sexta-feira, 30, expressou da forma mais eloquente até agora o desafio do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ, foto) para se eleger presidente da República neste ano.
As pesquisas indicam que o filho 01 do ex-presidente já conseguiu absorver boa parte das intenções de voto do pai, mas o prestígio com o eleitorado bolsonarista vem poluído por uma rejeição altíssima, comparável à rejeição do desgastado presidente Lula.
Com uma diferença essencial: a rejeição ao petista está consolidada e dificilmente aumentará.
Lula é bem conhecido por 82,1% do eleitorado, conhecido de ouvir falar por 16,1% e desconhecido por apenas 1,9%. E sua rejeição está em 45,3%, após três mandatos presidenciais.
Já o filho 01 de Bolsonaro é bem conhecido por apenas 34,9%, conhecido de ouvir falar por 52,7% e desconhecido por 12,4%. E sua rejeição é de 44,7%, mesmo sem ter sequer concorrido a um cargo majoritário.
Os números reforçam a perspectiva que já vinha sendo indicada por outros levantamentos, especialmente aquele da Quaest que apontava mais medo da família Bolsonaro do que de Lula.
Isso significa que Flávio pode até ter votos o bastante para passar para o segundo turno com Lula, mas a chance de ser derrotado no segundo turno é grande — ou bem maior do que a de um adversário do petismo que não carregue a herança de Bolsonaro no sobrenome.
Talvez por isso os petistas concentrem suas baterias no governador de São Paulo, Tarcísio de Fritas (Republicanos), indicando que preferem enfrentar o herdeiro direto de Bolsonaro.
Para diminuir a rejeição e ganhar a eleição, o senador precisa atrair os eleitores de centro, que definem os pleitos em meio aos votos cristalizados nos polos ideológicos, ao mesmo tempo em que defende a herança bolsonarista, o maior motivo de ojeriza a sua candidatura presidencial.
A única alternativa é tentar desgastar Lula ainda mais, o que também não é exatamente fácil, porque a imagem do petista já está bastante desgastada, pelos escândalos de corrupção e o péssimo governo.
Caso consiga vencer essa barreira e se eleger para o Palácio do Planalto, Flávio terá ainda de lidar com a problemática herança do pai na Presidência da República.
Esse desafio está bem distante, mas, após três anos de investigações e desgastantes julgamentos sobre a trama golpista, que mobilizaram o Supremo Tribunal Federal (STF) contra o bolsonarismo, ele soa ainda mais difícil do que ganhar uma eleição de Lula."
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