Contextualizando

A inoperância brasileira em relação à energia solar

Em 5 de Abril de 2026 às 11:00

A busca de alternativas energéticas é um dos desafios do mundo contemporâneo, em função dos custos dos modelos tradicionais.

O Brasil, que tem a opção da energia solar, não consegue viabilizar esse potencial energético e vive uma situação de desigualdade, por exemplo, com a Austrália, como explica o economista alagoano Daniel Lima Costa:

"O contraste é gritante. De um lado, o governo federal australiano acelerando políticas de incentivo ao armazenamento, transformando cada casa equipada com bateria em um nó inteligente da rede elétrica. O programa 'Baterias Domésticas Mais Baratas' já oferece descontos de cerca de 30% no custo inicial e foi expandido para US$ 7,2 bilhões até 2029, com a meta de instalar mais de 2 milhões de baterias residenciais. O impacto já é direto:

  • 10 GWh armazenados diariamente pelas famílias australianas.
  • Redução de 3 GW na demanda de pico.
  • US$ 1,5 bilhão em custos evitados por ano.
  • Menor dependência de combustíveis fósseis e maior resiliência da rede.

Enquanto isso, o Brasil, mesmo com cerca de 4 milhões de telhados solares instalados, ainda não possui uma política robusta de incentivo ao armazenamento. O resultado é que grande parte dos 36 GW de potência instalada de geração solar durante o dia não é aproveitada de forma estratégica.

A guerra no Golfo Pérsico e outros conflitos recentes mostram que o fornecimento de combustíveis fósseis está cada vez mais vulnerável. O gás natural, em especial, tornou-se uma commodity sujeita a choques de oferta e volatilidade de preços. Nesse cenário, apostar em 19 GW de novas térmicas a gás, como fez o Brasil no último leilão de capacidade, é um contrassenso:

  • Aumenta a dependência de fontes instáveis.
  • Eleva custos para os consumidores.
  • Contraria a tendência mundial de eletrificação limpa e descentralizada.

O que o Brasil pderia fazer:

  • Criar um programa nacional de baterias residenciais, inspirado no modelo australiano.
  • Estimular projetos de armazenamento em larga escala, integrados às usinas solares e eólicas.
  • Modernizar a regulação para valorizar flexibilidade e estabilidade, não apenas potência térmica.
  • Transformar o consumidor em protagonista da rede elétrica, capaz de armazenar, consumir e redistribuir energia.

Enquanto a Austrália mostra que o futuro da energia está nos telhados e baterias de cada cidadão, o Brasil ainda insiste em dormir sob milhões de painéis solares sem explorar seu verdadeiro potencial. Em um mundo marcado pela insegurança geopolítica, apostar no gás é caminhar na contramão da história.

O Brasil precisa acordar: o sol já está nos telhados, falta apenas armazená-lo para iluminar nossas noites com segurança, competitividade e soberania energética."

Gostou? Compartilhe