Contextualizando

A falta de vergonha também veste toga

Em 1 de Abril de 2026 às 19:45

O assunto mais comentado nesta quarta-feira, 1º de abril, consagrado como Dia da Mentira, foi a reportagem do jornal “Folha de São Paulo” dando conta de que Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal, e sua mulher costumam viajar, de cortesia, em aviões do Grupo Master, cujo presidente está preso por diversos crimes, inclusive corrupção.

Detalhes bastante significativos: Moraes integra uma instituição que tem (ou deveria ter) obrigação de apurar os malfeitos de Daniel Vorcaro, o dono do Master; a mulher do ministro, Viviane Barci de Moraes, é advogada contratada pelo Banco Master, pela “singela” quantia de R$ 139 milhões.

O que em qualquer lugar do mundo seria considerado imoralidade, aqui o Brasil, o “ex País do Futuro”, é visto com normalidade, tantos são os casos semelhantes envolvendo julgadores e figuras comprovadamente corruptas.

Mas ainda existe no nosso solo tupiniquim quem veja isso com indignação:

Jornalista Alexandre Borges:

“Alexandre de Moraes e Viviane Barci de Moraes aparecem oito vezes na lista de passageiros do terminal de jatos executivos de Brasília, entre maio e outubro de 2025. Aeronaves da Prime Aviation, vinculada a Daniel Vorcaro, respondem por sete desses voos. No oitavo, o avião era de uma empresa de Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, atualmente preso e, como o cunhado, negociando delação.”

Jornalista Josias de Souza:

“O magistrado encostou sua reputação na fabulosa história de Ícaro, o jovem que voou com asas de penas coladas com cera de abelha. Na lenda, Ícaro subiu alto demais. Maravilhado com a própria ascensão, ignorou o poder do Sol. No caso de Moraes não há asas de cera. Mas a analogia se impõe: nem todo prestígio resiste ao brilho intenso. Quanto mais alto se voa, mais arriscado se torna o deslumbramento. Imagina-se que a luz solar nunca derrete nada.”

Para o desembargador aposentado do Tribunal de Justiça de São Paulo, Walter Maierovitch, há inconsistências na forma como o ministro rebateu informações sobre o uso de jatinhos e sobre mensagens que teriam sido enviadas a ele no dia da prisão de Daniel Vorcaro.

“Ele usa de terminologia técnica, mas que muitas vezes isso representa um escapismo. Ele diz, por exemplo, na sua nota, que jamais viajou em avião de propriedade de Vorcaro. A matéria fala de empresa, dá o nome da empresa, fala da ligação com o fundo e fala que tudo isso tem ligações com o Vorcaro. Então não é o fato da propriedade do avião. [...] Num primeiro momento, então, com relação a esse caso dos aviões, é um escapismo do Moraes. “

A resposta do gabinete de Alexandre de Moraes foi lacônica e evasiva: “As ilações da fantasiosa matéria são absolutamente falsas”.

E ai de quem ouse reclamar...

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