Entenda como a cirurgia pode corrigir diferentes alterações da região abdominal e quais cuidados influenciam o resultado
Embora muitas vezes a abdominoplastia seja associada apenas à retirada do excesso de pele do abdômen, o procedimento vai além dessa função. Com a evolução das técnicas, a cirurgia passou a desempenhar um papel importante na reconstrução do contorno corporal, principalmente após gestações, grandes oscilações de peso ou processos de emagrecimento intenso.
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Segundo a Dra. Flávia Bonato, cirurgiã plástica membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), da International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS) e da Associação Brasileira de Cirurgia Plástica Estética (BAPS), a abdominoplastia moderna considera toda a estrutura da região abdominal e permite tratar alterações que não se limitam ao excesso de pele.
“Muitas pacientes chegam ao consultório acreditando que o problema está apenas na pele excedente. Na verdade, frequentemente existe uma combinação de fatores, como afastamento da musculatura abdominal, alterações da cintura, flacidez dos tecidos profundos e excesso de gordura localizada. O tratamento precisa considerar todas essas estruturas para que o resultado seja harmonioso”, explica.
Abaixo, confira 5 curiosidades que ajudam a entender melhor o procedimento!
Uma das alterações mais comuns após a gravidez ou grandes variações de peso é a diástase abdominal, condição caracterizada pelo afastamento dos músculos retos do abdômen. Essa alteração pode fazer com que a barriga continue saliente mesmo em pessoas com baixo percentual de gordura ou que se exercitam com frequência.
“Durante a abdominoplastia, o cirurgião pode realizar a plicatura muscular, uma técnica que reposiciona esses músculos e ajuda a restaurar a firmeza da parede abdominal. A correção da diástase costuma trazer benefícios não apenas estéticos, mas também funcionais. Muitas pacientes relatam melhora da estabilidade do tronco e da percepção corporal após a cirurgia”, afirma a Dra. Flávia Bonato.
Apesar de ser frequentemente associada à perda de peso, a abdominoplastia não é um procedimento de emagrecimento. “Na prática, a cirurgia é indicada para remover tecidos excedentes e melhorar o contorno corporal em pacientes que já estão próximos do peso desejado. Ela é até mais comum após o emagrecimento“, afirma a médica.
Essa situação, segundo a cirurgiã plástica, é cada vez mais comum entre pessoas que passaram por emagrecimento importante, inclusive após o uso de medicamentos para perda de peso, e ficaram com excesso de pele e flacidez abdominal.
A Dra. Flávia Bonato reforça que a cirurgia não deve ser vista como uma alternativa aos cuidados com a saúde, como uma alimentação adequada e a prática de exercícios. Os resultados da técnica tendem a ser mais satisfatórios quando o paciente já está com o peso estabilizado e deseja tratar alterações que não foram corrigidas com mudanças no estilo de vida.
Uma dúvida frequente é se a cirurgia remove gordura. “Embora pequenas quantidades possam ser retiradas juntamente com a pele excedente, a remodelação corporal geralmente é potencializada pela associação com a lipoaspiração”, diz a Dra. Flávia Bonato.
A combinação permite tratar simultaneamente a flacidez e os depósitos de gordura localizada. “A vantagem da associação da abdominoplastia à lipoescultura é um melhor tratamento do contorno corporal, destacando mais a cintura e conferindo uma silhueta mais bonita”, destaca o Dr. Marcelo Rudy, cirurgião plástico membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.
Além disso, também é possível associar a abdominoplastia com outros procedimentos. “Atualmente podemos associar a abdominoplastia, por exemplo, com as tecnologias da plataforma IgniteRF, como a Quantum e a Morpheus, com a lipoescultura ultrassônica e com a lipoinjeção intramuscular direta”, diz o médico.
A Dra. Flávia Bonato destaca que o planejamento da cirurgia considera o corpo como um todo, levando em conta o equilíbrio entre diferentes estruturas. “Não basta apenas retirar pele. Precisamos analisar proporções, contornos e volumes para alcançar um resultado natural e equilibrado”.

Uma das curiosidades que mais surpreendem os pacientes é o tratamento do umbigo durante a cirurgia. A cirurgiã plástica explica que, nas abdominoplastias tradicionais, a pele abdominal é tracionada para baixo após a retirada do excesso. Como consequência, o umbigo precisa ser exteriorizado novamente em uma nova posição anatômica.
“Por isso, o aspecto final do umbigo é uma etapa importante do planejamento cirúrgico. O umbigo é um dos detalhes que mais chamam atenção no resultado final. Atualmente, existem técnicas que buscam um aspecto discreto, natural e proporcional ao abdômen”, explica a Dra. Flávia Bonato.
Embora a versão tradicional seja a mais conhecida, existem diferentes modalidades do procedimento, como a miniabdominoplastia. “A miniabdominoplastia é indicada nos casos de queixas abaixo do umbigo. A indicação entre ela e a cirurgia convencional depende da quantidade de pele que precisa ser retirada, se a paciente tem diástase e, principalmente, se a paciente tem queixa do umbigo para cima”, diz o Dr. Marcelo Rudy.
Segundo a Dra. Flávia Bonato, a individualização é um dos pilares da cirurgia plástica moderna. “Nem sempre a maior cirurgia é a melhor cirurgia. O sucesso do tratamento depende de identificar exatamente qual é a necessidade de cada paciente. Existem situações em que procedimentos menores oferecem excelentes resultados justamente porque respeitam as características anatômicas daquele caso”, afirma.
Apesar dos avanços técnicos, a indicação da abdominoplastia deve sempre ser realizada após avaliação médica detalhada. Além disso, a Dra. Flávia Bonato explica que o histórico clínico, a presença de diástase, a qualidade da pele, o peso corporal, os hábitos de vida e as expectativas do paciente influenciam diretamente o planejamento cirúrgico.
“Outro aspecto importante é o estado nutricional do paciente antes e depois da cirurgia. A ingestão adequada de proteínas merece atenção especial, já que esses nutrientes fornecem os aminoácidos necessários para a síntese de colágeno, reparação dos tecidos e cicatrização“, diz a médica.
Por isso, o acompanhamento médico é fundamental. “Pacientes que passaram por grandes processos de emagrecimento, incluindo aqueles que utilizaram medicamentos para perda de peso, podem apresentar consumo proteico insuficiente ou perda de massa muscular, o que deve ser identificado e corrigido antes do procedimento. Após o procedimento, pode ser indicada a suplementação proteica, dependendo do paciente”, explica.
A cirurgia é apenas parte do tratamento. Conforme a Dra. Flávia Bonato, a recuperação também depende das condições do organismo para promover a cicatrização. Dessa forma, podem ser indicados ajustes nutricionais e, quando necessário, acompanhamento com nutricionista para otimizar o consumo de proteínas e contribuir para a recuperação pós-operatória.
“A cirurgia plástica moderna busca naturalidade e proporcionalidade. O objetivo não é transformar completamente o corpo, mas restaurar estruturas que foram modificadas pelo tempo, pelas gestações ou pelo emagrecimento, devolvendo conforto e harmonia ao paciente”, finaliza.
Por Maria Paula Amoroso
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