Acusada de matar sargento PM muda versão da roleta-russa durante julgamento

Publicado em 06/08/2026, às 14h55
Reprodução
Reprodução

Por Joyce Maia*

Durante o julgamento de Josefa Cícera Nunes Flores, acusada de matar o sargento da Polícia Militar Alessandro Fábio da Silva, ela alterou sua versão do crime, alegando legítima defesa após uma discussão, o que contrasta com depoimentos anteriores.

Josefa afirmou que a briga começou após uma suposta brincadeira de roleta-russa e que o disparo da arma ocorreu a cerca de dois metros de distância, o que, segundo a acusação, contradiz suas novas alegações e as provas técnicas coletadas.

O Ministério Público questiona a nova versão da ré, destacando que a arma utilizada não é típica para brincadeiras desse tipo, e o julgamento continua com a apresentação das alegações de ambas as partes.

Resumo gerado por IA

Após horas de julgamento, a acusada de matar o companheiro, o sargento da Polícia Militar Alessandro Fábio da Silva, de 53 anos, apresentou uma nova versão para o crime durante o julgamento realizado nesta quinta-feira (6), no Fórum Desembargador Jairon Maia Fernandes, no bairro Barro Duro, em Maceió. Ao ser interrogada, Josefa Cícera Nunes Flores afirmou que agiu em legítima defesa após uma discussão iniciada cerca de 35 minutos depois de uma suposta brincadeira de roleta-russa, alterando o relato apresentado anteriormente à polícia. 

Em depoimento, Josefa contou que o casal havia ingerido bebida alcoólica em um bar e que a vítima teria ficado com ciúmes depois que um homem, cuja identidade ela afirmou desconhecer, apertou a sua mão. Segundo a ré, ela dirigia o veículo enquanto os dois discutiam até chegarem à residência onde moravam, no bairro Cidade Universitária.

A acusada relatou que, ao chegar ao imóvel, decidiu permanecer dentro do carro, enquanto Alessandro entrou na casa. Ela afirmou, ainda, que um vigilante do condomínio teria passado pelo local e chamado o militar. Em seguida, disse ter adormecido no veículo e acordado quando o companheiro pediu que ela entrasse na residência.

Questionada pelo promotor de Justiça Antônio Vilas Boas sobre a identidade do funcionário, Josefa respondeu que não conhecia o homem e que não sabia informar o nome dele.

A mudança no depoimento foi destacada pela acusação. Nas primeiras versões apresentadas durante as investigações, Josefa declarou que o casal discutia e que Alessandro teria proposto uma brincadeira de roleta-russa. Como ela teria se recusado a participar, os dois entraram em luta corporal, momento em que a arma disparou.

O Ministério Público sustenta que a versão da acusada é incompatível com as provas técnicas produzidas ao longo da investigação. Segundo a perícia, o disparo foi efetuado a aproximadamente dois metros de distância, o que, na avaliação da acusação, enfraquece as teses de luta corporal e de roleta-russa. 

Outro ponto destacado pelo promotor é o fato de a arma utilizada no crime ser uma pistola, modelo que, de acordo com a acusação, não é empregado nesse tipo de prática. O julgamento prossegue com a apresentação das alegações da acusação e da defesa.

* Estagiária sob supervisão

Gostou? Compartilhe