Tecnologia

Agronegócio e saúde devem ser áreas prioritárias para desenvolver IoT no Brasil

Folhapress | 30/01/19 - 22h59 - Atualizado em 31/01/19 - 10h20
Ilustração | Pexels

O agronegócio, que hoje corresponde a mais de 20% do PIB nacional, e a área da saúde, com o crescente desenvolvimento tecnológico, são hoje as duas esferas de maior destaque para o investimento em internet das coisas (IoT na sigla em inglês) no Brasil.

Especialistas que debateram o tema durante o seminário Internet das Coisas, na quarta-feira (30), concordaram que é preciso entender as necessidades dos grandes, médios e pequenos produtores rurais e desenvolver soluções usando a tecnologia em uma visão que integre governo, empresas e universidades.

O evento, que teve patrocínio da Samsung, aconteceu no auditório da Folha de S.Paulo. A mediação do debate ficou a cargo de Everton Lopes Batista, repórter do jornal.
De acordo com Silvia Maria Massruha, chefe-geral da Embrapa Informática Agropecuária, já existem ferramentas importantes como sensores, imagens de satélite e drones, que ajudam produtores a monitorar pastagens e lavouras, comportamento animal, irrigação, meteorologia, entre outros fatores.

Um problema, segundo ela, é que faltam melhores formas de integrar a grande quantidade de dados registrados e transformá-los em conhecimento que possa aprimorar ainda mais a produtividade.
"Um dos principais pontos é que a tecnologia pode não só reduzir custos e otimizar recursos, mas também agregar valor ao produto final. Ela deve criar novos modelos de negócios, que levarão produtores a se inserirem no mercado nacional e internacional", disse Massruha.

Eduardo Polidoro, diretor de negócios de IoT da Embratel, ressaltou a importância da instalação de redes de conexão voltadas especificamente para a internet das coisas. Ele afirmou que a Claro Brasil lançará em breve duas novas redes de cobertura nacional, que trarão maior sensibilidade e alcance para dispositivos.

Um ponto crítico para que o produtor rural consiga vender seu produto no momento certo, com preços melhores, é a questão do armazenamento, lembrou Polidoro. Segundo o executivo, a empresa tem desenvolvido soluções tecnológicas voltadas para o melhor aproveitamento da armazenagem de grãos em silos.

Para Patrícia Ellen, secretária de Desenvolvimento Econômico do estado de São Paulo, a área da saúde é a que deverá ter maior impacto na aplicação da IoT no país. Entre os motivos, está o fato de ser um setor que recebe uma grande fatia do PIB, com os agravantes do envelhecimento da população e crescimento da incidência de doenças crônicas.

Mas Ellen ressalta que a utilização de novas tecnologias, como a possibilidade de acesso remoto a marcapassos e microchips de injeção de insulina, tem criado possíveis lacunas a ataques de hackers.

"A informação mais valiosa na deep web é a de saúde, chegando a ser dez vezes mais cara do que dados financeiros. Um hospital de Singapura, que supostamente teria uma proteção maior, foi atacado no ano passado por hackers, que roubaram e publicaram até os dados do primeiro-ministro do país. Também já tivemos no Brasil um caso no Hospital de Câncer de Barretos, além de outros", contou Ellen.

Por essa face problemática do desenvolvimento da tecnologia, a secretária defende que os limites éticos do IoT sejam discutidos antes de sua implementação.
"Hoje, por exemplo, os veículos autônomos ainda não existem em grande escala porque houve um acidente e, nesse caso, é muito difícil atribuir responsabilidade. Também é preciso pensar no impacto que isso teria nos empregos na área de transporte. A sociedade precisa fazer esses debates porque, se há impacto positivo de um lado, há sempre problemas que precisam ser resolvidos", disse.

Renata Zilse, líder do grupo de experiência do usuário do Centro de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Samsung, destacou a relevância de realizar um trabalho junto à população para entender em que pontos a aplicação da IoT é realmente útil e necessária.

"Para que serve sensorizar uma geladeira? Por que ela precisa conversar com o micro-ondas ou o ar condicionado? Hoje, na minha casa, quando o despertador toca, eu desligo o ar. Essa podia ser uma conexão automática importante", exemplificou.