Alemanha defende na ONU regulação da IA e a compara à bomba atômica

Publicado em 26/09/2026, às 23h22
Foto: Reprodução/X
Foto: Reprodução/X

Por José Henrique Mariante/FolhaPress

O ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul, defendeu o controle da inteligência artificial na ONU, alertando sobre a concentração de patentes em poucas empresas e o risco de influência desproporcional. Ele destacou que a falta de respeito pelas regras internacionais pode ter consequências graves para a maioria dos países representados na Assembleia Geral.

Wadephul enfatizou a necessidade de reforma do Conselho de Segurança da ONU e a urgência de adaptar as instituições às novas realidades trazidas pela IA, pedindo a criação de requisitos comuns de segurança para tecnologias avançadas. Ele também expressou preocupações sobre crises em países como Haiti, Sudão e Ucrânia, onde a Alemanha é a principal apoiadora na defesa contra a Rússia.

Durante sua visita, Wadephul se reuniu brevemente com o ministro russo Sergei Lavrov, abordando a escalada de tensões entre a Rússia e a Alemanha, além de um incidente envolvendo um drone com explosivos. A participação do primeiro-ministro Friedrich Merz foi cancelada devido a uma crise de popularidade enfrentada por seu governo.

Resumo gerado por IA

"Imaginem se as armas nucleares fossem desenvolvidas por empresas privadas, se os arsenais estivessem localizados nas instalações das empresas, e se os códigos de lançamento estivessem trancados em um cofre no escritório do diretor-executivo. É uma ideia perturbadora."


Foi assim que Johann Wadephul, ministro das Relações Exteriores da Alemanha, iniciou uma defesa enfática do controle da inteligência artificial em discurso na Assembleia Geral da ONU, neste sábado (26). Lembrando que apenas dois países detém a maior parte das patentes da tecnologia, Wadephul afirmou que isso era "uma enorme quantidade de influência na mão de muito poucos".


Discursando em inglês, o chanceler salientou que a revolução tecnológica ocorre em um momento de muita dificuldade para a ONU. "Existem grandes potências que acreditam que se saem melhor se ignorarem as regras consagradas na Carta das Nações Unidas."


Wadephul declarou que "a esmagadora maioria dos 193 países representados nesta Assembleia Geral" pagará o preço "se o respeito pelo direito internacional for minado e suas instituições forem alvo de ataques", em clara referência ao comportamento do governo Donald Trump. Ele, contudo, não mencionou diretamente o presidente americano ou os EUA.


O representante alemão reiterou ainda a necessidade de reforma do Conselho de Segurança da ONU, pleito que divide com outros países, inclusive o Brasil. "A IA não está esperando que nossas instituições se adaptem. São nossas instituições que precisam se adaptar à IA", disse, exortando os países-membros a trabalharem no estabelecimento de requisitos comuns de segurança para os modelos mais avançados.


O chanceler expressou ainda a preocupação da Alemanha com a situação no Haiti, no Sudão e também na Ucrânia, em guerra com a Rússia desde 2022. "Hoje, a Alemanha é a maior apoiadora da Ucrânia em sua defesa contra a agressão russa."


Pouco antes de seu discurso, o ministro alemão havia se encontrado com seu homólogo russo, Sergei Lavrov, em uma reunião que durou apenas 20 minutos. Foi o primeiro encontro em nível ministerial dos dois países desde a invasão do território ucraniano. A iniciativa partiu da Alemanha, informou o Kremlin.


Segundo a imprensa alemã, Wadephul teria pedido para a Rússia abandonar o "caminho perigoso da escalada contra a Alemanha, a Europa e a Otan". O episódio do drone com explosivos encontrado no aeroporto de Leipzig, em agosto, que Berlim credita aos serviços de inteligência russos, foi abordado no encontro.


O plano inicial da Alemanha era ter o primeiro-ministro, Friedrich Merz, no púlpito em Nova York. O premiê, no entanto, cancelou sua participação diante da crise de popularidade que enfrenta, agravada por derrotas de seu partido em eleições regionais no país.

Gostou? Compartilhe