Contextualizando

Alfredo Gaspar pede quebra de sigilos bancário e fiscal de filho de Lula

Em 3 de Fevereiro de 2026 às 13:45
Jornalista Bruno Luiz, no portal UOL:
"O relator da CPMI do INSS, deputado federal Alfredo Gaspar (União-AL), apresentou requerimento de quebra dos sigilo bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula (PT).
Objetivo é saber se Lulinha seria o real destinatário do pagamento de R$ 300 mil à empresa de uma amiga dele. Mensagens interceptadas pela Polícia Federal mostram o empresário Antônio Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, dizendo a um funcionário para pagar o valor mensal a Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha, e que o dinheiro seria destinado ao 'filho do rapaz'.
Gaspar afirma que a Polícia Federal interpreta a expressão 'filho do rapaz' como 'referência direta' a Lulinha. O relator da CPMI fala ainda, no requerimento, que Roberta seria 'intermediária financeira para o repasse de vantagens indevidas' ao filho do presidente.
Para Gaspar, há indícios de que Lulinha seja 'sócio oculto' do Careca do INSS. 'Sob a ótica política e investigativa, a medida (quebra de sigilo) justifica-se pela suspeita de que Fábio Luís tenha atuado como 'sócio oculto' de Antônio Camilo em empreendimentos de cannabis medicinal financiados com recursos supostamente desviados do INSS', diz trecho do requerimento.
Relator aponta também tentativa de obstrução das investigações sobre o escândalo de fraudes no INSS. Gaspar destacou conversas obtidas pela PF em que Roberta envia mensagens ao Careca do INSS, após a deflagração de fases da operação, dizendo 'some com esses telefones'. Além disso, ela expressa preocupação com a apreensão de um envelope contendo o nome do 'nosso amigo'.
PF apura citações a Lulinha. Investigadores informaram ao STF (Supremo Tribunal Federal) que apuram se o filho do presidente Lula seria 'sócio oculto' do Careca do INSS. A hipótese é que Lulinha teria se envolvido no esquema de descontos ilegais no INSS por meio de Roberta, que foi alvo da Operação Sem Desconto em dezembro.
Defesa de Lulinha nega. O advogado Marco Aurélio de Carvalho, que atuou na defesa de Lulinha, disse ao Estadão no início de janeiro que seu cliente não tem relação com as fraudes nem nunca foi sócio do Careca do INSS.
Para que sigilos sejam quebrados, a CPMI precisa aprovar o requerimento de Gaspar, A ideia é colocar o pedido em votação agora que os trabalhos da comissão serão retomados. O colegiado é formado por 16 senadores e 16 deputados federais titulares e igual número de suplentes.
Governo Lula tem obtido vitórias na CPMI em temas espinhosos à gestão. Aliados do petista conseguiram, por exemplo, barrar a convocação de Frei Chico, irmão do presidente, que é vice-presidente de um sindicato investigado por desvios em aposentadorias e pensões. A tendência é que governistas se articulem, novamente, para blindar Lulinha.
CPMI já aprovou quebra de sigilo do Careca do INSS e do sindicato ligado a irmão de Lula. A comissão também determinou a quebra de sigilo de outros nomes proeminentes investigados no esquema, como o do ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto.
'Se tiver filho meu metido nisso, ele será investigado', disse Lula em dezembro. Em entrevista à imprensa, o presidente garantiu que 'quem estiver envolvido [nas fraudes do INSS] vai ser investigado'."

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