Ao negar extradição de Zambelli, Justiça italiana cita Moraes

Publicado em 12/06/2026, às 10h29
Corte afirmou que magistrado brasileiro foi "vítima e juiz" - Foto: Reprodução
Corte afirmou que magistrado brasileiro foi "vítima e juiz" - Foto: Reprodução

Por Agência Brasil

A Corte de Cassação de Roma negou a extradição da ex-deputada Carla Zambelli ao Brasil, onde foi condenada a 10 anos de prisão por invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça, destacando dúvidas sobre a imparcialidade do ministro Alexandre de Moraes no processo.

A decisão italiana apontou a falta de lógica na fundamentação do caso, citando a atuação de Moraes como juiz e vítima, o que comprometeria a imparcialidade judicial.

Zambelli, que fugiu para a Itália após a condenação, foi solta em maio deste ano, mas um segundo pedido de extradição relacionado a outro crime ainda está pendente na Justiça italiana, sem manifestação do STF ou de Moraes sobre a situação.

Resumo gerado por IA

A Corte de Cassação de Roma, instância máxima de apelação da Justiça italiana, publicou a íntegra da decisão em que negou a extradição ao Brasil da ex-deputada Carla Zambelli, condenada a 10 anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF). 


A decisão italiana diz respeito ao pedido de extradição feito pelo Brasil relativo ao caso de invasão aos sistemas eletrônicos do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), crime pelo qual foi considerada culpada pela Primeira Turma do Supremo, no ano passado. 


Para a Justiça italiana, há “diversos elementos” que trazem dúvida sobre a imparcialidade do ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no Supremo. Isso porque ele ocupou diferentes papéis ao longo do processo, sendo, além de juiz, o prejudicado pelo ato considerado criminoso. 


A decisão italiana afirma haver “insuficiência e ilogicidade da fundamentação em relação ao acúmulo das funções de vítima, juiz de primeira instância, juiz de segunda instância e juiz da execução na pessoa de M.A.D.M. [Ministro Alexandre de Moraes]”.


A Corte de Cassação concluiu que Moraes atuou, nesse caso específico, “em violação ao princípio da imparcialidade e da independência do juiz”. 


Pouco antes da condenação se tornar definitiva, Zambelli fugiu, em julho do ano passado, para os Estados Unidos e em seguida para a Itália, país do qual possui cidadania. Ela foi presa no país europeu para aguardar o julgamento do pedido de extradição feito pelo Brasil, mas acabou solta em maio deste ano, depois da decisão que rejeitou o procedimento. 


Há ainda, contudo, um segundo pedido de extradição em tramitação na Justiça italiana, ao aguardo de uma decisão da Corte de Cassação italiana. 


Esse caso diz respeito a uma condenação da ex-deputada por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal no episódio em que ela sacou um revólver e perseguiu um jornalista pelas ruas de São Paulo, em 2022. 


Acionados, o Supremo Tribunal Federal ou o gabinete do ministro Alexandre de Moraes ainda não se manifestaram sobre a decisão da Justiça italiana. 

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