Saúde

Assistência humanizada à gestante cresce com pandemia; conheça os benefícios

Assessoria | 19/08/21 - 09h14 - Atualizado em 19/08/21 - 14h17
Imagem: Freepik

Nos últimos anos têm crescido o debate sobre o parto humanizado, que prega o nascimento da maneira mais natural possível e dá à mulher mais autonomia nesse momento tão especial para ela e para a família. Com a pandemia do novo coroanavírus, o receio do ambiente hospitalar colocou o método ainda mais em evidência. Esse tipo de parto tem crescido, também, em resposta ao que recomenda a Organização Mundial da Saúde (OMS), que  critica o que chama de “medicalização do parto”, ou seja, o uso indiscriminado de intervenções e cirurgias que, a depender do caso, pode prejudicar a mãe e o bebê.

Segundo a OMS, nascer em um ambiente acolhedor e na hora certa, via de regra, seria a melhor maneira de vir ao mundo. Na prática, durante o parto humanizado,  a mãe pode escolher a posição do procedimento, se quer receber anestesia, quem ela quer ter ao lado neste momento, e tudo o que cerca o nascimento do bebê. 

A enfermeira obstetra, Laura Nobre, que atua em Maceió, explica que em Alagoas, seguindo o movimento nacional, a busca pelo método também cresceu com a pandemia. Junto com outra profissional, ela formou um grupo de assistência e consultoria em enfermagem obstétrica, o @mamanparteria

"Com a pandemia, o receio das mulheres à exposição ao ambiente hospitar provocou um aumento na procura, e com isso formamos esse grupo, que dá essa assistência humanizada à gestante de baixo risco. A gente faz as consultas junto com a família, fazemos desde o pré-natal na residência da gestante, e todo um acompanhamento até o dia do parto, com também no pós-parto, com serviço também de consultoria de amamentação", explica a profissional, que atua na equipe com Maria Luiza, também enfermeira obstetra.

Ela explica ainda que a assistência humanizada é possível tanto para a mulher que escolhe um parto domiciliar quanto no hospital. "A gestante é acompanhada em casa durante a gestação, e escolhendo o parto hospitalar levamos ela até à uniddade, acolhendo também quem ela escolheu para acompanhá-la neste momento, como também após a alta da mãe e do bebê". 

Todo o processo de  assistência humanizada cuida da mãe desde o pré-natal até o pós-parte, com avaliação da mãe e do bebê. Confira no quadro abaixo os dois tipos de assistência de acordo com o parto em casa ou  hospitalar:

8 mitos e verdades sobre o parto humanizado 

Apesar de já ser bastante debatido e disseminado, a prática do parto humanizado ainda gera dúvidas. A mulher tem direito à anestesia? O parto é mais ou menos arriscado para o bebê? Esses são alguns dos questionamentos. A obstetriz (ou parteira) Ana Cristina Duarte, idealizadora do Siaparto, o Simpósio Internacional de Assistência ao Parto, listou 8 mitos e verdade sobre o parto humanizado ao site Veja Saúde. Confira:

1 - Todo parto normal é humanizado - 
Mito
. Para ser humanizado, ele precisa ocorrer com total respeito à mulher e ao bebê, sem nenhum tipo de violência obstétrica

2 - A recuperação do parto humanizado é melhor
Verdade
. Como não poderia deixar de ser, uma cirurgia — como a cesariana — exige um tempo de reabilitação maior. Contudo, o parto humanizado também traz mais.

3 - O parto humanizado é mais perigoso para o bebê
Mito
. Esperar o trabalho de parto começar e a criança vir ao mundo naturalmente é considerado o método de nascimento mais seguro

4 - Para ser humanizado, o parto deve ser normal
Mito
. “O parto humanizado preconiza a segurança. Quando ela está ameaçada, devemos fazer a cesárea

5 - A cesárea não pode ser humanizada
Mito
. O conceito de parto humanizado está muito ligado ao método normal. Mas, se isso realmente não for possível — o que é uma exceção, e não regra — algumas medidas.

6 - A mulher não tem direito à anestesia no parto humanizado
Mito
. Ela pode receber remédios específicos para amenizar a dor sempre que desejar

7- A vontade da mulher é superior à vontade do doutor
Polêmico
. O Código de Ética Médica do Conselho Federal de Medicina (CFM) afirma: “ É vedado ao médico deixar de obter consentimento do paciente ou...

8 - O parto humanizado é um direito da mulher
Teoricamente, verdade
. Ele é preconizado pelo Ministério da Saúde, que tem diretrizes sobre o tema. Além disso, vários estados possuem legislações próprias.

Número de bebês nascidos em casas de parto humanizado em SP aumenta 22% durante a pandemia

De acordo com informações da Prefeitura de São Paulo, o número de bebês nascidos em casas que disponibilizam o chamado parto humanizado na cidade teve um aumentou 22,5% durante a pandemia. No total, foram 643 crianças nascidas em 2020 nas duas unidades municipais da capital.

Na Casa de Parto de Sapopemba, na Zona Leste da cidade,  o número de bebês nascidos subiu 85,6% entre março e dezembro de 2020, em relação ao mesmo período de 2019, de 118 para 219. Na Casa Ângela, localizada na Zona Sul, o número de nascimentos pulou de 407 para 424 – um aumento de 4,2%.

A grande procura, de acordo com a Prefeitura,  se deve ao receio das gestantes de ter contato com possíveis pacientes com Covid-19.