João Victor Gonçalves, conhecido como 'Mau Mau' da novela 'Quem Ama Cuida', foi hostilizado por um streamer ao chegar no Rock in Rio, gerando repercussão sobre a homofobia enfrentada por ele e muitos outros. O incidente destaca a necessidade de discutir a homofobia estrutural na sociedade.
O ator expressou seu descontentamento nas redes sociais, afirmando que a homofobia não deve ser tratada como entretenimento e que o medo de ser roubado foi maior que a sensação de vulnerabilidade que sentiu. GH, o streamer envolvido, se defendeu dizendo que suas ações eram parte de um conteúdo humorístico, negando qualquer intenção homofóbica.
Após a polêmica, João Victor reafirmou que não deixará o episódio passar em branco e que sua experiência é um reflexo da luta contra o preconceito. Ele enfatizou a importância de poder viver livremente, sem sofrer discriminação, e prometeu continuar a abordar o tema em suas plataformas.
João Victor Gonçalves, 24, o "Mau Mau" da novela da TV Globo "Quem Ama Cuida", foi hostilizado pelo streamer GH ao chegar no Rock in Rio na sexta-feira (04). "Tá horroroso! Muito feio!", gritaram o influenciador e outros jovens enquanto seguiam o ator na rua.
LEIA TAMBÉM
João Victor reagiu ao episódio nas redes sociais, dizendo que "homofobia não é entretenimento". "Eu estou até me emocionando com as coisas que eu estou lendo. Agora eu vou chorar. Mas, realmente, isso é o retrato de tudo o que a gente mostra. O Mau Mau é um personagem forte, valente, que encara essa homofobia estrutural que vive dentro de casa de uma forma muito corajosa. Ele engole e segue. Talvez tenha sido isso que eu fiz hoje. Eu engoli e segui", disse.
O ator disse que teve medo de ser roubado. "Dentro de mim, eu talvez estivesse sentindo alguma coisa, mas meu medo de ser roubado era maior, eu acho. Eu quero agradecer o carinho. Obrigado por serem assim", concluiu.
"Só para ficarem tranquilos, eu estou bem! Amanhã falamos disso. Homofobia não é entretenimento", afirmou João Victor Gonçalves.
Após o vídeo repercutir nas redes, GH se defendeu e disse que estava apenas fazendo "entretenimento". "Uma ótima noite, abençoada por Jesus. Pega a visão. Eu estava numa live aqui, mano. Eu fico fazendo um monte de entretenimento pelo meio da rua. Doideira com maluquice. Fui fazer entretenimento com um cara que estava passando na rua e me dei mal. Cliparam [cortaram], postaram no Twitter e estou recebendo um monte de hate", disse.
"A gente erra, a gente é ser humano. Estou pedindo desculpa de coração aberto, que a gente erra. Perdão aí, irmão. Deus abençoe sua vida grandiosamente. Pegou a visão? É isso, pra cima", disse GH.
O streamer negou ter sido homofóbico com João Victor. "Se vocês repararem no vídeo, eu nem estava com vontade de rir. Estava rindo forçado, só pra gerar o entretenimento pra quem estava assistindo a live, que a live estava zero conteúdo. Aí, pra animar, eu fico fazendo essas doideiras no meio da rua", disse.
Tem um monte de gente me mandando mensagem, falando que eu fui homofóbico. Jamais, eu não tenho preconceito com ninguém. Só fiz aquilo pelo entretenimento e pelo conteúdo. Tem gente que gosta e tem gente que não gosta. Quem estava me assistindo achou engraçado.
GH
GH é um streamer com mais de 20 mil seguidores e 1 milhão de curtidas no TikTok. Ele costuma fazer transmissões ao vivo em que anda pelas ruas do Rio de Janeiro abordando pessoas.
Ele afirmou que se inspirou no conteúdo do influenciador Rafando Diaz, que tem mais de 1 milhão de seguidores. Rafando publica vídeos em que diz estar "vencendo a timidez" — nas gravações, ele se aproxima de pessoas em ambientes públicos, aponta e começa a gargalhar, usando frases como "olha o cara aí" ou "olha o casal aí".
Após a repercussão do caso, João Victor publicou um novo vídeo em que diz que o ataque não passará em branco. "Eu estou bem, tenho rede de apoio muito boa, mas isso não vai ficar para trás. O meu personagem fala sobre poder ser quem ele é, sem sofrer preconceito e é isso o que a gente quer, a gente quer simplesmente poder andar na rua."
Isso não vai passar em branco, a gente não pode deixar que passe em branco. É dolorido saber que sofri uma agressão como essa e me ver vulnerável para o Brasil inteiro.
LEIA MAIS
+Lidas