Hidratação, ambientes frescos e atenção a sinais como tontura, fraqueza e confusão mental estão entre as recomendações para proteger as pessoas mais velhas
O fortalecimento do El Niño deve colocar a saúde da população idosa no radar de famílias e cuidadores nos próximos meses, especialmente com a chegada da primavera. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), há alta probabilidade de temperaturas acima da média entre outubro e dezembro deste ano, cenário que pode favorecer a ocorrência de ondas de calor intenso.
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Para os idosos, períodos de calor intenso exigem atenção especial. O Ministério da Saúde inclui essa população entre os grupos mais vulneráveis às ondas de calor e recomenda a oferta frequente de líquidos e a permanência em ambientes frescos.
Segundo o geriatra Dr. Felipe Vecchi, diretor médico e operacional dos residenciais Cora e Vivace, do grupo BSL Saúde, o organismo da pessoa idosa pode ter mais dificuldade para responder às temperaturas elevadas.
“Com o envelhecimento, algumas respostas do organismo ao calor ficam menos eficientes. A sensação de sede também pode estar reduzida, fazendo com que o idoso não perceba que precisa beber água. Por isso, em dias quentes, a hidratação não deve depender apenas da sede. É importante oferecer líquidos regularmente e observar mudanças no comportamento e no estado geral da pessoa”, orienta.
A recomendação é especialmente importante para idosos que apresentam doenças crônicas ou fazem uso contínuo de medicamentos. Durante períodos de calor extremo, doenças cardiovasculares e respiratórias podem ser agravadas, e pessoas com condições de saúde preexistentes precisam acompanhar seus sintomas e seguir as orientações médicas quanto ao uso de medicamentos.
Em períodos de calor intenso, alguns hábitos simples podem ajudar a proteger a saúde e o bem-estar dos idosos. O Dr. Felipe Vecchi destaca os principais cuidados:
Mesmo que o idoso não diga que está com sede, é importante estimular a ingestão de líquidos em intervalos regulares. Manter uma garrafa de água sempre por perto e estabelecer horários para lembrar da hidratação pode ser uma estratégia especialmente útil para quem passa parte do dia sozinho.
Sempre que possível, mantenha os cômodos ventilados, reduza a entrada de calor e evite que o idoso permaneça por longos períodos em ambientes abafados ou muito quentes.
Roupas largas, leves e de tecidos que favoreçam a transpiração ajudam a tornar os dias quentes mais confortáveis. Também é importante proteger a pele quando houver exposição ao sol.
Passeios, consultas, atividades físicas e outras saídas devem, sempre que possível, ser programados para os períodos mais frescos do dia. Nos horários de maior temperatura, a orientação é permanecer em locais protegidos do sol e do calor.
Em dias muito quentes, refeições menores e mais leves podem favorecer o conforto e ajudar a manter uma boa ingestão alimentar. Frutas e alimentos com maior quantidade de água também podem contribuir para a hidratação.
Nem todo idoso deve aumentar a ingestão de água indiscriminadamente. Pessoas com determinadas doenças cardíacas, renais ou outras condições podem ter uma recomendação individual de consumo de líquidos.

O calor pode provocar sintomas que, em pessoas idosas, algumas vezes são confundidos com cansaço ou alterações próprias do envelhecimento. Tontura, fraqueza, dor de cabeça, sonolência excessiva, boca seca, redução da quantidade de urina e alterações do comportamento podem indicar que o organismo está sofrendo com a desidratação ou com o excesso de calor.
“Uma mudança repentina no comportamento merece atenção. Se o idoso que normalmente conversa e interage passa a apresentar sonolência incomum, confusão, fraqueza ou tontura, não devemos simplesmente atribuir isso à idade. Esses sinais precisam ser avaliados”, alerta o geriatra.
Em situações de maior gravidade, como desmaio, confusão mental intensa, dificuldade para respirar, dor no peito, alteração importante do nível de consciência ou sinais de insolação, é necessário buscar atendimento médico. O Ministério da Saúde orienta que, diante de quadros relacionados ao calor, a pessoa seja levada para um local fresco e tenha a temperatura corporal reduzida, com avaliação profissional quando necessário.
A prevenção ganha ainda mais importância quando o idoso mora sozinho ou depende de auxílio para atividades do cotidiano. Nesses casos, familiares e cuidadores podem ajudar a monitorar a ingestão de líquidos, observar as condições do ambiente, adaptar horários de atividades e identificar rapidamente mudanças no comportamento.
“O cuidado com o idoso durante períodos de calor não precisa ser complicado. Muitas vezes, são atitudes simples e constantes que fazem a diferença. Perguntar se ele está bem, oferecer água, verificar se o ambiente está muito quente e prestar atenção a mudanças no comportamento são formas importantes de prevenção”, afirma o Dr. Felipe Vecchi.
Com a previsão de um El Niño que pode alcançar intensidade muito forte, acompanhar as condições climáticas e adaptar a rotina dos idosos torna-se uma medida de cuidado. Mais do que olhar para o termômetro, é preciso observar como o organismo está respondendo às temperaturas e agir diante dos primeiros sinais de desconforto.
Por Andressa Marques
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