As campanhas de Flávio Bolsonaro (PL) e de Lula (PT) foram ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) hoje e chegaram a um acordo para disponibilizar a quebra de sigilo fiscal e telemático dos dois candidatos, a três dias do segundo turno da eleição presidencial.
LEIA TAMBÉM
O documento foi protocolado em um processo relatado pelo ministro André Mendonça, vice-presidente do TSE.
Em um jogo de empurra, as duas campanhas colocaram condições para que os sigilos sejam disponibilizados.
O principal ponto de divergência foi em relação à quebra do sigilo da empresa de Willer Tomaz, advogado investigado pela Polícia Federal — ele é amigo de Flávio.
A campanha do PT diz que exigiu que isso fosse concluído no acordo. Já a campanha do PL afirmou que será requisitada uma autorização de Willer para que possa divulgar as informações financeiras.
O encontro aconteceu na sala de protocolo de petições do TSE. Não houve uma reunião formal.
Segundo a campanha do PT, o documento entregue ao TSE permite a abertura dos sigilos e os dados devem se tornar públicos para qualquer pessoa, em um site designado pela Justiça Eleitoral, a partir das 23h59 de hoje.
O que diz a campanha de Flávio
A advogada da campanha do PL, Maria Cláudia Bucchianeri, disse que tudo o que foi pedido na petição do presidente Lula e na do senador Flávio foi aceito.
"Nós fizemos a nossa pedida e ontem a campanha do presidente topou. E nós topamos a pedida deles. Então, absolutamente tudo aquilo que foi pedido na petição do presidente Lula a campanha de Flávio vai oferecer sem nenhuma reserva."
(Maria Cláudia Bucchianeri, advogada da campanha)
A equipe jurídica disse ainda que a campanha disponibilizará a quebra de sigilo do senador somente após confirmar que Lula cumpriu todas as exigências feitas pelo candidato do PL.
"Se a gente confirmar que tudo que ele [Lula] se comprometeu ele trouxe, será imediato."
A tarefa de conferir a documentação ficará a cargo do ex-procurador da Lava Jato e senador eleito Deltan Dallagnol (Novo-PR). Vou "analisar os documentos da mesma forma que eu fiz no passado, e a última vez que eu fiz isso, o Lula foi parar na cadeia", disse Dallagnol, em entrevista coletiva à porta do TSE.
Dallagnol afirmou que Lula não cumpriu o que foi prometido. Segundo ele, o combinado seria apresentar os documentos, e não apenas a autorização.
"Nós esperávamos agora estar conferindo, analisando os documentos e trazendo os nossos documentos aqui, mas o que nós saímos daqui é simplesmente mais um termo de compromissos", disse.
O que diz a campanha de Lula
O senador Camilo Santana (PT-CE), um dos coordenadores da campanha do presidente Lula, disse que Flávio Bolsonaro aceitou abrir o sigilo da empresa em sociedade com o advogado Willer Tomaz.
Segundo Camilo, a equipe de Flávio estava resistente em aceitar a condição. Mas acabou cedendo ao requisito da campanha petista.
Infelizmente nós tivemos um embate agora, para que a empresa, ou a relação, com Willer Tomaz não ficassse de fora desse gesto de transparência. Eles acataram depois de nós não cedermos.
(Camilo Santana, em entrevista coletiva no TSE)
"O Poder Judiciário vai tomar as providências cabíveis, mas quem vai julgar o Flávio vai ser o Brasil no dia 25", disse Santana, ao se referir ao segundo turno das eleições.
Equipe da campanha de Lula anunciou ontem que condições impostas por Flávio foram aceitas.
O presidente concordou em estender a quebra dos seus sigilos bancário, fiscal e telefônico ao Instituto Lula, a seu assessor de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, e ao cartão corporativo da primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja.
A discussão sobre abertura de sigilos bancário e telefônico dos candidatos começou no debate da Band de domingo. Após Flávio acusar Lula de ladrão, o presidente disse que abriria seus sigilos bancário e telefônico para provar que seu patrimônio tem origem totalmente lícita depois lembrar suspeitas de corrupção envolvendo o senador do PL.
LEIA MAIS
+Lidas