Cientistas brasileiros desenvolveram um biossensor eletroquímico que analisa uma gota de sangue para detectar sinais precoces de câncer, potencialmente aumentando as chances de cura e salvando vidas.
O dispositivo, que funciona de forma semelhante a medidores de glicose, é capaz de identificar biomarcadores de tumores silenciosos e permitirá um rastreamento mais acessível e rápido, especialmente em áreas remotas.
Os pesquisadores estão colaborando com o Instituto do Câncer do Estado de São Paulo para integrar a tecnologia ao Sistema Único de Saúde, com testes clínicos previstos até 2027 para sua validação e implementação.
Na constante luta contra o câncer, a descoberta precoce do tumor é o fator decisivo para salvar vidas e aumentar as chances de cura. Pensando nessa agilidade, cientistas brasileiros desenvolveram uma tecnologia capaz de analisar apenas uma gota de sangue para identificar sinais quase imperceptíveis da doença no organismo.
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O projeto é liderado pelos pesquisadores, Daniela Fernandes e Cristiano Jayme. Com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e do Sebrae Startups, a equipe criou um biossensor eletroquímico acessível. Essa inovação promete encurtar o caminho entre a dúvida do paciente e o início do tratamento.
Como a tecnologia da gota de sangue funciona
O funcionamento desse novo dispositivo é parecido com o dos medidores de glicose, usados por diabéticos no cotidiano. No entanto, o equipamento possui sensibilidade calibrada para detectar biomarcadores de tumores silenciosos no pâncreas, cérebro e pulmão. Ao colocar a gota de sangue sobre o eletrodo, ocorre uma reação química que gera um sinal elétrico e avisa sobre a presença da enfermidade.
Além disso, a ferramenta atua como um sistema de alerta rápido, sem substituir a biópsia tradicional. Com essa triagem simples, o paciente ganha tempo e é encaminhado com urgência para a rede de cuidados médicos.
Descentralização do atendimento e testes
Atualmente, o rastreamento do câncer depende de exames caros e concentrados nas grandes capitais, como o PET-CT. Em contrapartida, o teste portátil nacional custará entre 40 e 50 dólares, permitindo a aplicação em Unidades Básicas de Saúde (UBSs) de regiões afastadas.
Para viabilizar a tecnologia no Sistema Único de Saúde (SUS), os pesquisadores trabalham em cooperação científica com o Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP), sob a coordenação do professor Roger Chammas, da Faculdade de Medicina da USP (FM-USP). Atualmente, o dispositivo integra um edital-piloto da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e passará por diversos testes clínicos. A expectativa dos criadores é concluir as validações até meados de 2027 para levar essa inovação ao público.
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