Neste domingo, grupos de carona solidária foram organizados nas redes sociais para ajudar eleitores a chegarem aos locais de votação, em resposta a falhas no transporte público em várias cidades brasileiras.
A Casa Marighella registrou um aumento significativo de motoristas dispostos a oferecer caronas, com mais de 8 mil cadastrados em 820 cidades, enquanto em Salvador, voluntários criaram um site para facilitar o transporte de eleitores.
O Ministério da Justiça identificou problemas de transporte em sete estados e a Justiça eleitoral determinou a prisão do secretário de Mobilidade de Salvador, enquanto iniciativas de carona seguem com orientações para evitar a violação da legislação eleitoral.
Na tarde deste domingo (25), passaram a circular nas redes sociais grupos de carona solidária sendo organizados para ajudar a transportar eleitores para locais de votação. A iniciativa começou após relatos de falhas no transporte público em diversas cidades do Brasil.
LEIA TAMBÉM
A organização Casa Marighella, que montou uma plataforma de caronas voltada a idosos e pessoas com mobilidade reduzida para a votação, viu o número de cadastrados explodir no fim da tarde. Às 17h25, havia 8.215 motoristas oferecendo transporte em 820 cidades.
Em Salvador, um grupo de voluntários criou o site SOS Salvador Caronas Solidárias, onde eleitores foram direcionados ao grupo de Whatsapp atuante em seu bairro ou região para receber carona até as zonas eleitorais. A ação aconteceu do final da manhã deste domingo até o fim do horário de votação. Eles estimam que pelo menos 5 mil pessoas conseguiram votar a partir da iniciativArtistas do axé e seus fã-clubes também organizaram caronas solidárias para ajudar eleitores a chegar aos locais de votação, diante da circulação de ônibus restringida na Bahia. O grupo de WhatsApp Central Daniela Mercury reuniu cerca de 3.000 carros cadastrados e permitia contato direto com os motoristas pelo WhatsApp.
O Ministério da Justiça identificou falhas na oferta de transporte para os eleitores em sete estados. São eles: Bahia, São Paulo, Piauí, Sergipe, Pará, Alagoas e Rio de Janeiro. Em Salvador, a Justiça eleitoral determinou a prisão do secretário de Mobilidade, Pablo Souza.
De acordo com a legislação eleitoral, é proibido transportar eleitores para votação. O objetivo é impedir que haja coação do voto. Em seu site, a Casa Marighella afirma que, para não ferir a lei, a plataforma orienta que "ninguém pede voto, pergunta em quem a pessoa vai votar ou fala de candidato" e que os motoristas não estejam com "adesivo, bandeira, camiseta, santinho ou som de campanha no veículo".
A mesma orientação vem circulando em grupos, embora a Folha de S.Paulo tenha recebido mensagens encaminhadas orientando a "ver se algum vermelho" precisa de ajuda. Também circulam mensagens com pontos de maior fluxo, onde haveria eleitores precisando de carona. Em São Paulo, por exemplo, circulam pedidos para Pirituba, Vila Matilde, Terminal Lapa e Barra Funda.
Uma lista de números de telefone de motoristas dispostos a dar caronas em diversas cidades também circula nos grupos.
Alguns motoristas decidiram sair de carro procurando eleitores. "Estava faltando pouco tempo para fecharem as urnas, então a gente foi muito, muito rápido, se organizou em três carros e veio pra região da Zona Oeste", afirma o designer João Pedro Nogueira, 31, morador de São Paulo.
"Nós conseguimos dar carona para duas irmãs saindo do metrô Butantã e uma outra amiga deu para mais três pessoas", diz. Com a notícia da prorrogação do horário de votação para as 19h, por determinação do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Cristiano Zanin, o grupo pretendia continuar buscando eleitores nas ruas.
A educadora somática Marianna Muradas, 38, também percorreu a região. Ela afirmou ter conseguido dar carona a pelo menos dois eleitores, indo até a região da rodovia Raposo Tavares. "E teve também um senhor que já tinha votado, mas eu levei ele porque já ia para o mesmo lado", conta.
Eleitores também apontaram problemas para entrar em grupos de carona no WhatsApp, em meio aos problemas no transporte coletivo. O aplicativo exibia a mensagem: "Você atingiu o limite de grupos dos quais pode participar neste momento. Tente novamente mais tarde."
"Eu tentei entrar várias vezes perto das 15h30 e sempre acabei bloqueada", conta Julia Lima, 39, professora de história da arte. "Depois das 17h passou a funcionar."
Procurada pela reportagem por e-mail e WhatsApp às 16h, a Meta não respondeu. As normas da comunidade do WhatsApp não especificam um limite de grupos. Este teto tampouco consta das diretrizes eleitorais apresentadas ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
LEIA MAIS
+Lidas