Bill Harris, um dos líderes do grupo terrorista Exército de Libertação Simbionês, morreu aos 81 anos devido a um ataque cardíaco, marcando o fim de uma era ligada a um dos sequestros mais notórios da história dos EUA, o de Patricia Hearst.
O sequestro de Patricia, neta do magnata da mídia William Randolph Hearst, em 1974, não apenas chocou o país, mas também gerou um intenso debate sobre a manipulação e a radicalização, culminando em sua transformação de vítima a assaltante de banco.
Após anos de foragidos, Bill e sua esposa foram presos em 1975, e, após cumprir pena, Bill se tornou investigador particular; em 2003, ele se declarou culpado pelo homicídio de Myrna Opsahl, resultando em uma nova condenação e pedido de desculpas à família da vítima.
Um dos líderes do grupo terrorista Exército de Libertação Simbionês (SLA, na sigla em inglês), que atuava nos EUA nos anos 1970, e que foi um dos protagonistas do sequestro de Patricia Hearst, herdeira de império bilionário, morreu aos 81 anos.
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Bill Harris foi vítima ataque cardíaco em um hospital de São Francisco em 10 de setembro, informou sua esposa, Rebecca Young, ao "New York Times" na terça-feira. O sequestro de Patricia, então com 19 anos, foi um dos mais midiáticos da história dos EUA.
Não só pelo "enredo", mas pelo fato de o seu avô ser William Randolph Hearst, o magnata da mídia que serviu de inspiração para o filme "Cidadão Kane". A trajetória do seu sequestro em 1974 e o seu julgamento inspiraram o filme biográfico "Patty Hearst" (1988), dirigido por Paul Schrader e protagonizado pela atriz Natasha Richardson.
Em 4 de fevereiro de 1974, Bill, um ex-fuzileiro naval que serviu na Guerra do Vietnã, e dois companheiros do SLA invadiram o apartamento de Patricia em Berkeley (Califórnia)e a levaram à força após uma luta violenta, colocando-a no porta-malas de um Chevrolet Impala, segundo o FBI (polícia federal dos EUA).
Inicialmente, o grupo classificou Patricia como "prisioneira de guerra" e não exigiu resgate, mas depois exigiu que a família dela financiasse uma ampla distribuição de alimentos para a população pobre de toda a Califórnia.
"Patricia Hearst era um alvo simbólico", disse Bill sobre o motivo pelo qual o grupo a escolheu, segundo o "New York Times". "A família dela controlava um império de mídia que nós víamos como um braço de propaganda do governo dos Estados Unidos", emendou ele.
O caso teve uma reviravolta. Após passar semanas confinada num armário em esconderijo do SLA em Daly City, lendo a propaganda do grupo à luz de uma lanterna, Patricia posou segurando uma arma, com o símbolo do SLA ao fundo, juntamente com uma gravação de áudio na qual ela adotava o nome "Tania" e denunciava sua família e os seus "privilégios".
Menos de duas semanas depois, a herdeira passou de vítima de sequestro a assaltante de banco — participando de um assalto do SLA a uma agência do Hibernia Bank em São Francisco e transformando seu sequestro em uma das sagas criminais mais bizarras e sensacionalistas da década de 1970.
Mais tarde, Patricia afirmou ter sido coagida a se juntar ao grupo e acreditava que seria morta se recusasse — uma versão que Bill contestou durante décadas, numa espécie de "síndrome de Estocolmo à americana".
A derrocada do SLA começou em 16 de maio de 1974, quando Bill e sua esposa, Emily Schwartz, quase foram capturados roubando uma cartucheira de munição de uma loja de artigos esportivos. A van usada na fuga levou o FBI a um esconderijo em South Central Los Angeles. No dia seguinte, policiais cercaram o local, desencadeando um tiroteio intenso que incendiou o prédio e matou seis membros do SLA, incluindo o líder máximo, Donald DeFreeze.
O SLA atacou novamente em abril de 1975, assaltando uma agência do Crocker National Bank em Carmichael, nos arredores de Sacramento (Califórnia). Durante o assalto, a espingarda de Emily disparou, matando Myrna Opsahl, uma mãe de quatro filhos de 42 anos que estava depositando as ofertas da igreja. Patricia não estava dentro do banco quando Myrna foi morta. Mais tarde, ela testemunhou que estava esperando no carro de fuga.
Após mais de um ano foragidos, Hearst e o casal Bill e Emily foram presos por agentes do FBI em São Francisco, em setembro de 1975.
Patricia foi condenada por assalto a banco à mão armada em 1976. O presidente Jimmy Carter comutou sua pena em 1979, e o presidente Bill Clinton mais tarde lhe concedeu o perdão.
Bill e Emily Harris cumpriram cerca de oito anos de prisão pelo sequestro e foram libertados no início da década de 1980. Após sua libertação, os dois se divorciaram. Bill construiu uma nova vida como investigador particular.
Em 1988, ele se casou com Rebecca Young, uma advogada de defesa da região da Baía de São Francisco.
Após mais de 25 anos, Bill e sua ex-esposa foram finalmente acusados pelo assassinato de Myrna. Em 2002, Bill, Emily e outros ex-membros do SLA fizeram um acordo com a Promotoria e se declararam culpados de homicídio em segundo grau.
Ao receber a sentença em 2003, Bill pediu desculpas à família de Opsahl por seu papel na morte dela. Ele foi condenado a sete anos de prisão e cumpriu cerca de quatro.
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