Não pode ainda ser considerado completamente esclarecido o que realmente teria acontecido com Luiz Phillipi Mourão, um dos principais operadores de Daniel Vorcaro, dono do hoje liquidado Banco Master.
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A versão oficial é de que ele teria se suicidado nas dependências da carceragem da Polícia Federal em Belo Horizonte.
Preso em 4 de março, "Sicário", seu codinome no submundo ao qual pertencia Daniel Vorcaro, foi dado como morto, mas até hoje não foram reveladas as circunstâncias do episódio.
Usou veneno? Enforcou-se? Utilizou-se de alguma arma?
São perguntas até hoje sem respostas.
Para gerar mais dúvidas sobre o que realmente teria acontecido, não foi divulgada pela Polícia Federal nenhuma imagem de "Sicário" morto e nem revelados detalhes sobre o seu sepultamento - dia, hora, cemitério, cidade...
E nem se sabe de algum procedimento envolvendo a Polícia Federal, que o tinha sob custódia.
Essa situação de suspeita é abordada pelo portal "O Antagonista":
"Deputados do partido Novo enviaram ao Ministério da Justiça um pedido formal de informações sobre a morte de Luiz Phillipi Mourão, conhecido como 'Sicário' , ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro.
O requerimento, protocolado nesta sexta-feira, 10, solicita do ministro Wellington Cesar Lima e Silva detalhes sobre a atuação da Polícia Federal no caso.
No documento, a deputada Adriana Ventura (SP) pede esclarecimentos sobre 'os atos de custódia, os protocolos de prevenção de autoagressão, a cadeia documental do óbito e as providências administrativas' adotadas pelas autoridades.
Segundo ela, o episódio levanta dúvidas sobre a condução do caso.
A parlamentar afirma que a situação envolve responsabilidade direta do Estado sobre pessoas sob custódia.
'Não é aceitável que um caso envolvendo morte sob custódia do Estado gere dúvidas ou inconsistências documentais sem esclarecimento rigoroso. A sociedade tem o direito de exigir transparência, porque confiança nas instituições depende de informação correta e prestação de contas', disse a deputada.
Mourão foi preso pela Polícia Federal em 4 de março, em Minas Gerais, e tentou suicídio no mesmo dia. Ele foi socorrido e levado a um hospital, mas morreu dias depois.
Preso durante a Operação Compliance Zero, Mourão foi apontado pela Polícia Federal como operador de um grupo ligado ao Banco Master, responsável por monitoramento e obtenção de informações.
De acordo com a investigação, ele teria participado de ações de intimidação e mantinha acesso a bases de dados restritas.
Era Mourão quem supostamente comandava o grupo 'A Turma', usado para intimidar jornalistas e adversários de Vorcaro.
Vorcaro pagava 1 milhão de reais por mês para o grupo, segundo a investigação.
A PF expôs a 'dinâmica violenta' das conversas entre Vorcaro e Mourão, com uma troca de mensagens sobre um jornalista que havia publicado notícias contrárias aos interesses do dono do Master."
Também em 'O Antagonista', o registro de outro questionamento sobre o que realmente aconteceu com 'Sicário':
"O senador Magno Malta (PL-ES) quer convocar Richard Murad Macedo, superintendente da Polícia Federal em Minas Gerais, para prestar esclarecimentos à CPI do Crime Organizado sobre a morte de Luiz Phillipi Mourão, conhecido como 'Sicário' e ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro.
Segundo o parlamentar, o caso apresenta inconsistências que levantam dúvidas sobre a versão oficial da morte.
No requerimento, citado pelo Globo, Malta cita 'contradições, omissões e indícios' e aponta divergências entre a informação inicial de suicídio e registros posteriores de atendimento hospitalar e morte encefálica.
A certidão de óbito de Mourão não informa a causa da morte, indica apenas que o caso está 'aguardando exames'.
O senador também questiona se foram seguidos os protocolos previstos pelo Conselho Federal de Medicina para a confirmação de morte encefálica, incluindo a realização de testes e intervalos obrigatórios.
Outro ponto levantado é a necessidade de critérios específicos para emissão da declaração de óbito em casos de morte sob custódia com suspeita de causa externa, o que, segundo o requerimento, não teria sido devidamente demonstrado."
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