Brasil

Causa da queda de avião que matou Eduardo Campos permanece mistério

Folhapress | 08/08/18 - 23h23 - Atualizado em 09/08/18 - 11h11
Reprodução

Após quatro anos de investigações, o inquérito aberto pela Polícia Federal para investigar a queda do jatinho que matou, em agosto de 2014, o então candidato à Presidência Eduardo Campos (PSB-PE) foi encerrado sem responsabilizar uma pessoa ou empresa pelo acidente, cuja causa principal pode ter sido tanto mecânica quanto humana.

A PF também afastou a hipótese de sabotagem. Além de Campos, ex-governador de Pernambuco, seis pessoas morreram no acidente.

Na mesma linha do que já havia concluído o Cenipa, órgão da Aeronáutica encarregado da apuração, a investigação da PF, que produziu 26 volumes com 4.200 páginas, elencou quatro hipóteses principais.

Todas, contudo, não puderam ser nem descartadas nem confirmadas pela polícia, que também não tem como atribuir um grau de probabilidade para cada uma.

O avião pode ter caído após uma colisão com urubus ou depois de manobra para evitar um choque com os pássaros.

A causa da queda também pode ter sido a desorientação espacial dos pilotos, uma pane nos controles de arfagem –(movimento de inclinação do avião), em especial no profundor, uma superfície localizada na cauda do avião que faz o nariz do aparelho apontar para cima ou para baixo– ou por uma pane intermitente numa peça ligada ao profundor, o compensador.

Por outro lado, foram descartadas as hipóteses de golpe de vento, desbalanceamento, falha no estabilizador horizontal, ato de sabotagem, incapacidade ou suicídio.

O delegado que conduziu o inquérito, Rubens Maleiner, piloto por formação e especialista em investigações do gênero, reconheceu que algumas pessoas possam ficar frustradas sem uma solução mais clara sobre o que ocorreu.

"Sei que pode parecer um pouco frustrante, mas temos que comprovar fatos e esse acidente, com toda a complexidade, teve características peculiares. Conseguimos entender bem o que aconteceu, em termos de mecânica do voo e do sinistro, mas isso não significa que conseguimos desvendar por que aquilo aconteceu daquela maneira", disse o delegado, que apresentou à imprensa os resultados do inquérito nesta quarta-feira (8) no hangar da PF em Brasília.

Alguns fatores, segundo a PF, impediram um resultado mais claro. O primeiro foi a própria violência do impacto do avião. Os peritos calcularam que ele atingiu o solo a uma velocidade estimada entre 602 e 694 km/h. A explosão impediu até mesmo um exame toxicológico nas vítimas.

Outros fatores foram a ausência de um gravador de parâmetros técnicos de voo, cuja presença não era obrigada por lei, e a inatividade do aparelho de gravação de voz na cabine.