Meio Ambiente

Cheiro de enxofre incomoda moradores da Região Metropolitana; indústria pode ser denunciada

31/07/18 - 12h44 - Atualizado em 31/07/18 - 21h53
Reprodução / Google Street View

Os moradores do município de Satuba, na região metropolitana de Maceió, e cidades próximas têm se sentido incomodados com um cheiro forte sentido há anos. O odor seria de enxofre e viria da fábrica de fertilizantes Timac Agro, localizada em Santa Luzia do Norte, que fica vizinha.

Na última quarta-feira, 25, a Câmara de Vereadores de Satuba entregou à empresa um ofício endereçado ao diretor Cláudio Carvalho solicitando esclarecimentos sobre os resíduos químicos lançados na atmosfera e quais esforços são feitos para melhorar a qualidade de vida nas duas cidades.

É a segunda vez que os parlamentares entram em contato com a empresa. Em 2015, a Câmara também entregou um documento em que questiona a quantidade de poluentes no ar e se isso coloca em risco a saúde da população, que já sentiria dificuldades na respiração. Porém, nenhum dos documentos foi respondido.

“Este é um dilema antigo, já acontece há bastante tempo. Às vezes melhora, mas este ano teve piora. Os moradores reclamaram para nós e entregamos um ofício. Eles reclamam de ardência nos olhos e dificuldades para respirar. Caso não vejamos melhora, vamos procurar o IMA [Instituto do Meio Ambiente] e o Ministério Público”, contou em entrevista ao TNH1, Luís Carlos Lira, presidente da Câmara de Satuba.

Riscos à saúde

A pneumologista Sandra Reis explicou ao TNH1 que o ar que inalamos pode sim causar problemas respiratórios, mas que a predisposição e rotina de cada pessoa também influencia no quadro.

“Temos que prestar atenção na quantidade do produto no ar que respiramos, no tempo de exposição e perímetro alcançado. É preciso verificar a quantidade de enxofre no meio ambiente. A poluição pode, sim, causar problemas de saúde às pessoas”, contou a médica.

Moradora de Santa Luzia do Norte há 33 anos, Marinez Leite relata que o problema vem de anos e que a reclamação é geral entre os moradores. “Todo mundo sempre reclamou dessa fábrica. O cheiro está sendo muito forte. Quando passamos em frente, o cheiro fica insuportável”, contou.

O IMA, por meio da assessoria de comunicação, esclareceu que a Timac Agro já foi autuada e multada há alguns anos. No entanto, ela recorreu e o processo está na Justiça.

Procurada pela reportagem e questionada sobre a questão e possíveis soluções para o dano ao meio ambiente e à população, a empresa se manifestou através de uma nota, encaminhada por e-mail. Confira na íntegra:

Em virtude da notícia veiculada nesta terça-feira 31/07/2018, esclarecemos que a Timac Agro opera dentro dos limites estabelecidos na legislação brasileira, sendo realizadas regularmente medições, por empresa externa especializada em emissões atmosféricas, para controle e monitoramento da qualidade do ar, não havendo danos ao meio-ambiente e nem a população.

Ressaltamos que a fábrica de ácido sulfúrico foi desativada há mais de 10 anos, não havendo, portanto, utilização de enxofre como matéria-prima no processo produtivo.

Recebemos ofício da Câmara Municipal de Vereadores de Satuba-AL e estaremos encaminhando a resposta com todos os esclarecimentos necessários, permanecendo à disposição deste órgão.

Por fim, apesar do contexto difícil do mercado de fertilizantes na região, informamos que a unidade fabril de Santa Luzia do Norte está contemplada em um plano de investimento importante há vários anos.