Maceió

Com doença cardíaca rara, jovem aguarda há dois meses transplante de coração

Letícia Cardoso* | 11/01/19 - 14h39 - Atualizado em 11/01/19 - 14h40
Ela foi diagnosticada 48 horas após dar à luz a primeira filha | Reprodução / Arquivo Pessoal

Há um ano e três meses, Ana Karolina Correia, de 29 anos, sofre com uma doença rara, a miocardiopatia periparto, uma disfunção cardíaca grave que pode ocorrer ao final da gestação. Ela foi diagnosticada 48 horas após dar à luz a primeira filha, Maria Cecília, e, com a piora do quadro, agora precisa com urgência realizar um transplante de coração.

Após várias tentativas de entrar na lista de espera em Alagoas, ela passou a ocupar um dos primeiros lugares como prioridade, já que a doença tem grande risco de mortalidade. Mas já são dois meses aguardando o transplante.

Karolina sente falta de ar, inchaço nos membros e chega a vomitar nos momentos de crise, que a levaram a procurar ajuda médica várias vezes desde que foi diagnosticada. Com o agravamento dos sintomas, há 34 dias ela está internada na UTI do Hospital do Coração, em Maceió.

Ana Karolina e a filha Maria Cecília / Foto: Arquivo Pessoal

O TNH1 conversou com o esposo dela, Marcos Correia, que faz um apelo para que as famílias se sensibilizem quanto a doação de órgãos. “Quando perdemos alguém, passamos por um momento muito difícil, entendo isso. Mas também pedimos que eles compreendam que fazendo essa doação, podem salvar uma vida”, desabafa.

Marcos explicou que, de acordo com os médicos, a doença tem alto risco de mortalidade, mas havia a possibilidade de que, dentro de seis meses, o quadro fosse revertido. No entanto, com o passar do tempo, Karolina chegou a ter trombose no coração e arritmia cardíaca.

“Essa melhora não aconteceu, só piorou. Anteontem, o médico falou comigo e informou que teríamos que realizar um procedimento de emergência, colocando um balão em seu coração para aliviar os sintomas”, contou o marido.

Como funciona o processo de doação de órgãos

O TNH1 entrou em contato com a Central de Doadores, responsável pelo processo de doação de órgão para entender como funciona este processo. A coordenadora, Daniela Ramos, explicou que hoje existem quase 500 pessoas na lista de espera de Alagoas e há algumas etapas a serem cumpridas até o transplante.

"Primeiro é preciso que haja a suspeita da morte cerebral do paciente doador. Quando é confirmado, nós entramos em contato com a família para fazer uma entrevista e pedir autorização para que os órgãos daquela pessoa sejam doados. Apenas após a autorização são realizados exames para avaliar se os órgãos podem ser realmente doados e a compatibilidade com quem está esperando. Depois disso, nosso sistema gera um ranking dos doadores que poderão receber", explica Daniela.

A miocardiopatia periparto

A causa da doença ainda é desconhecida, mas pesquisadores defendem que entre os fatores que podem influenciar no problema estão alterações genéticas, infecções virais, álcool, estresse e autoimunidade, além de hereditariedade, idade avançada e hipertensão arterial.

Ela é caracterizada por alterações do ventrículo esquerdo do coração e manifestações de insuficiência cardíaca, que surgem no período após o parto. No caso de Karolina, os sintomas já chegaram a afetar o funcionamento dos rins e do fígado, já que o coração não consegue bombear o sangue pelo corpo de maneira adequada.


*Estagiária sob supervisão da editoria